E, de repente, eu senti a leveza de me interessar por
outro alguém. Sem passado pesando, sem presente passando despercebido. Fiquei
feliz, não em começar uma possível nova história, nem em, quem sabe dessa vez,
acertar. Não tava surtando e planejando um futuro lindo, com filhos correndo
pela casa e cachorro no quintal, com o cara que eu mal conheço. Nada de planos
bonitos, que sempre acabam rasgados pelo chão. Era um interesse simples, era pele,
olhos nos olhos, arrepio, vontade de estar perto. O que me fazia sorrir de canto a canto
era eu estar andando na direção de um outro alguém, sem me sentir acorrentada a
nada e a mais ninguém. Sem nenhuma expectativa e nenhuma obrigação. Não tava
ali pra adormecer minha dor por umas horas, não tava distraindo minha saudade.
Tava ali e só, ficando bem, sem forçar. O ponto não era o novo amor, entende? Era
meu reabrir de asas.
