Existem dias em que a gente tenta explicar o que está lá dentro e não sobram palavras. Existem dias em que a gente tenta expulsar o que está lá dentro e não tem jeito. Existem dias em que a gente não queria ter nada lá dentro e...não consegue!
Hoje pensei em você. Saí de casa e pensei em você o tempo inteiro. Não me concentrei em nada. Cheguei em casa e imaginei você aqui, do meu lado. Seu cheiro estava por ali, pelo menos no meu nariz. Têm vezes que o seu cheiro não quer me abandonar. Na verdade eu nem quero me libertar dele. Você ali ao meu lado. Eu com a cabeça no seu peito. Olhos fechados. Nosso corpo colado. Sua mão no meu cabelo. Minha boca no seu pescoço. Queria que fosse assim. Imaginei dessa forma: minha boca fazendo o seu pescoço de travesseiro. Minha mão fazendo a sua nuca de cobertor. E nóis dois sem prestar a menor atenção em nada, a não ser em nós mesmos. Cochichando. Não falando nada. Fazendo do silêncio o nosso melhor aliado. Fazendo do silêncio o nosso mais bonito olhar.
A noite terminou e eu vi que não adiantou nada trazê-lo para perto, mesmo em pensamento, pois você não veio.
Voltei pra casa me sentindo solitária e estranha e o dia se tornou solitário e estranho e eu abri uma latinha de cerveja. Cerveja, gelada. No verão é ótimo, desce bem, faz com que a noite não se torne tão inimiga. Então eu bebi e a cerveja foi passando pelo meu corpo inteiro e foi me dando um calor e um calor e um calor que me deu mais saudade de você.
Aí achei minha caixa de azedinhos lá no fundo armário. Meu preferido: azedinho de morango. Coloquei a mão na caixa e estava vazia. Devo ter feito alguma cara meio confusa, meio decepcionada. Então achei outra caixa: azedinho de maçã verde. Peguei 2 e saí. Mas fiquei pensando porque a caixa do meu preferido estava vazia. Detalhe: vazia e dentro do armário, dentro do armário e vazia. E me dei uma definição: me senti uma caixa vazia dentro de um armário abandonado. Uma caixa abandonada dentro de um armário vazio.
Aquela cerveja foi me causando sensações não traduzíveis, me encontrei semi-bêbada e com saudade. Não uma saudade ruim. Uma saudade doce. Doce e suave e com gosto de azedinho. Fui até o armário e vi que lá no fundo, bem atrás tinha o sobrevivente da caixa vazia. O último e abandonado azedinho preferido. Troféu da noite.
Passei a mão nele, enchi um copo de água gelada e fui para o quarto. Passei o meu dia a limpo. E pensei: não tem jeito. Eu te amo.

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