sábado, 24 de novembro de 2012

Quase.

Todo mundo já teve um quase amor. O quase amor é aquele que ia ser amor, mas por ironia do destino, por um atraso do relógio, por um desencontro coraçãozal, por um tropeço da noite ou do dia, por uma frase colocada fora do roteiro, por excesso de gel no cabelo, por uma saia muito curta, por manias ordinárias, por manhas insuportáveis, por esquisitices da personalidade, não foi. Não foi amor, não evoluiu, não vingou, não bateu, não arrebatou, não cresceu. O quase amor é um bolo sem fermento. É uma planta sem adubo. É um scarpin com o salto quebrado. É sorriso com um pedaço de folha de alface se exibindo no dente da frente. O quase amor é a paixão que ficou de porre, acordou, levantou pé por pé, pegou a roupa, saiu de fininho, ligou do banheiro para a melhor amiga e disse "eu estava bêbada". Quase amor é a paixão que perdeu o trem, o táxi, o metrô, o ônibus, a lotação, o avião, o navio, o helicóptero. O quase amor é o amor que perdeu o cavalo, o patinete, a bicicleta, o carro, o triciclo. O quase amor é o amor que ficou perdido no meio do deserto, sem água, sem celular, sem secador de cabelo, sem NET, sem lixa de unha, sem travesseiro de penas, sem nada. O quase amor é o que vira nada um dia, o que só tem valor na lembrança - e olhe lá.

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