quarta-feira, 29 de agosto de 2012

ADORÁVEL ESTRANHO.

Tá, não é mais um estranho agora, mas eu gosto de chamá-lo assim, ainda que seja só nos meus pensamentos e nos meus textos. Fazia muito tempo que eu não me sentia tão bem com um desconhecido. Ele tinha olhos profundos e um sorriso de quem ainda tem muita sede de vida, embora já tenha vivido algumas tantas experiências que o deram uma maturidade incomum. Tinha cheiro de homem, e um sorriso de moleque que contrastava de uma forma hipnotizante. Foi ele chegar, que eu comecei a ver poesia até no jeito que minha cadela corre atrás do próprio rabo. Acho que isso foi um bom sinal, ou não. Alguns drinks a mais e uma série de idéias bacanas para se pôr em prática com uma pessoa bacana. Cara, como ele é bacana! Um labirinto de formas musculares que eu ficaria medindo com a boca pelo resto da vida, se fosse possível. Estava na esperança de que fosse outro cara sem acervo intelectual, mais um membro da gangue das cantadas de porta de boate, e então eu poderia deixá-lo na categoria dos deslizes com facilidade. Doce engano. Tinha música saindo da sua boca e cada palavra, que era seguida de um sorriso malandro demais, encarnava na minha alma como se fosse um encaixe violento de peças de um quebra-cabeças, enfim sendo resolvido. Senti todas as borboletas no estômago se trombarem, enquanto voavam sem parar de tanta felicidade por ele ter tomado aquela iniciativa. Aquela que toda mulherzinha fica esperando – na maioria das vezes, inutilmente – que o cara tome, pra poderem dar continuidade numa história que nem existe. A minha também não existe, mas eu nem ligo.
Tenho mostras de cuidado e atenção sem parar, e, embora esteja completamente confusa e sem saber o que fazer ou como isso aconteceu, tô adorando ser essa mulher comum! Que experimenta o guarda-roupa inteiro prá poder ficar à altura de uma camiseta com bermuda, que sente uma honra imensa simplesmente em ser apresentada aos seus amigos. Enfim, tô feliz e não nego mesmo. E assumo a culpa, a culpa é do meu estranho adorável, com cara de menino e jeito de macho, do tipo que se faz inteiro e não precisa pedir atenção, ele é digno de toda atenção do mundo e de todo carinho e de todos os beijos, abraços e gemidos possíveis.
De tanto pensar sobre como a rainha do gelo chegou ao ponto de se sujeitar à correr esse risco real e ameaçador de se ferrar muito, acho que deu pani e não pensei mais, só vivi, é. Vivi. E os dias ao lado dele foram incríveis ao ponto de não caberem em palavras e, mesmo sabendo que todas as coisas (e pessoas) desse mundo foram destinadas à mudança (o que pode não ser uma coisa boa), eu estou plena em cada segundo. Hoje, me agarro apenas na certeza de que a gente ainda vai se encontrar por aí...
Tomara.



sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Lá se foram 9 meses...


Começou a ficar agressivo, como se a gente não tivesse mais que ser delicado ou ter respeito um pelo outro. Depois as pequenas coisas se tornaram enormes e tudo que era problema se tornou arma, objetos cortantes, coisas pontiagudas que a gente jogava um no outro pra machucar. Aí a gente tentou ficar bem, tentamos acertar e o acerto tinha remendos demais, cicatrizes demais, pedaços demais. Acho que a coisa mais difícil de terminar um namoro onde os dois se amam é conseguir acreditar que isso é o melhor a fazer. Prefiro chorar sozinha com a certeza de que ele me ama como eu o amo do que chorar frustrada por ter acabado com nossos sonhos e histórias no meio de uma briga imbecil alimentando um ódio que não é verdadeiro. A gente viveu uma história de cinema, um romance de novela e até hoje não vi um casal mais bonito do que nós fomos. Mas a verdade é que prefiro te perder para o tempo e seguir sozinha do que te perder para mim mesma e não poder me perdoar. Acho que eu te amo até o fim dos tempos, mas espero que eu e você possamos viver de uma maneira justa, digna, honesta e, se possível, feliz, pra levar nossa mágica pra vida dos nossos amigos, dos nossos próximos e pra nós mesmos. Vai doer em mim, vai doer em você, mas vai passar... sempre passa.

with or without you..


Se no futuro for isso mesmo, tudo bem, parabéns pra nós. Conseguimos! Mas se não for, que não esteja muito longe, ou, ao menos, que não seja ruim. Porque eu sei, você sabe,  qualquer um sabe que tentar adivinhar o futuro é inútil e que seja lá o que existe, destino ou acaso, não será previsível. É por isso que a gente não deveria se preocupar tanto com o que vai se parecer depois de cinco anos, quinze, trinta. É o futuro, amor, não dá para adivinhar.

Se no futuro a casa for azul de cercas brancas, bacana, mas se for amarela sem jardim, poxa, bacana também. Temos que estar abertos às novas possibilidades e nunca nos deixar endurecer diante das situações que exigem flexibilidade. Principalmente flexibilidade de opiniões. Ser duro, ficar sempre focado no mesmo objetivo, vendo só um pedacinho do horizonte, nos tira muitas chances de encontrar coisas ainda maiores do que as que pensávamos estar procurando.
Talvez, lá na frente, os papéis se invertam e você seja meu protetor, os braços que me dão segurança e conforto, meu porto seguro. Talvez eu seja a que paga as contas, a que fica o dia todo fora de casa e você o que troca as fraldas, o que conhece todas as professoras da creche e vizinhas da rua. Talvez você esteja sabendo do dia do vencimento de todas as contas, do preço do litro de leite, do gás, da nova taxa do lixo, enquanto eu vou comentar das novidades da guerra na Líbia, das descobertas nas pesquisas da vacina do HIV, dos escândalos econômicos do nosso país bagunçado.
Não há como saber! E, honestamente, me interessa muito continuar não sabendo. Não que eu gosto de ser surpreendida o tempo todo, mas não suportaria se soubesse que no futuro sua cama vai ter o perfume de outra mulher, ou que o banco do passageiro do meu carro vai ter um formato que não é da sua bundinha linda. Mesmo que, por algum motivo, essa situação tenha sido escolhida por nós, não é minha escolha agora. Prefiro ser surpreendida pelo divórcio futuro do que não viver a parte boa da história que ainda temos pela frente.
Posso garantir que não quero saber do futuro, nem controlá-lo. Mas se eu pudesse pedir, para Deus, para a sorte, para seja lá o que for que possa interferir nas nossas vidas, pediria uma coisa só. Não importa se você vai pagar as contas, se vou por silicone, se vai ganhar mal ou se vou decidir virar escritora. Também não importa se eu vou trocar fraldas, trocar de carro,  ou se vamos nos mudar para a praia. O que me importa é viver, seja lá o que vier, com você. Seria meu único pedido: que fosse com você!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Dos amores de hoje já não sei nada. Dos de amanhã, pff, nem pergunte. Não sei mais o que é para durar, o que é para curtir e o que é para acabar. Porque a gente sabe, todo mundo sabe, existem amores que começam para terminar! Onde é que está o amor quando a música acaba, quando as luzes coloridas à noite não iluminam mais, quando as mãos se dão por conveniência, não por desejo de segurar, de ter perto. Sento diante de uma janela invisível e assisto a vida das pessoas que passam pela minha e as que ainda virão. Vida vai, vida vem, e o amor entre elas é que faz tudo girar. Quem é que nasceu para ser fiel? E quem é que nasceu para não ser? E será que existe essa coisa de nascer pra algo? Vai ser diferente sempre? Vai ser sempre assim? Não sei, mas o que eu sei é que o amor de hoje não está nos livros, nem nos textos da internet, nem mesmo na boca de quem diz amar. O amor de hoje está na rua, na boca do lixo, e cada dia fica pior, mais sujo, mais feio, mais curto. Pede um cigarro, ama, apaga o cigarro, não ama mais. Hoje o amor tem que tomar cuidado com o copo de vodka, com o número de latas que já se foram, com como a música está. O amor é momentâneo, é mutável a cada nova cena, a cada nova festa e os amantes ainda não estão preparados para isso. É como a nova tecnologia na mão das crianças que ainda não sabem usá-la. É preciso ser cabeça para amar hoje em dia. O ciúme e a disposição para ser amado são complicados de entender, de aceitar, de diluir. Se alguém tem ciúme, é um ciúme extremo. Se alguém quer ser amado, deseja um amor extremo. Se quer amar alguém, é devoção extrema. No mundo dos sentimentos superlativos eu continuo neutra, na minha janela, privilegiada de bons ângulos, assistindo a vida alheia. Porque eu sei, sei muito bem, que quando saio na rua existem mais dezenas de janelas e olhos me assistindo, analisando minha vida, meu modo de viver, minhas escolhas e atos. Todo mundo se olha e tenta entender o amor alheio, quando, na verdade, nem o nosso próprio amor é totalmente conhecido por nós. Somos reféns do eterno medo da grama do vizinho ser mais verde... e cortamos amores como cortamos matos!

domingo, 22 de julho de 2012

Arte final


Eu te vejo hoje, no meio dos meus medos, como o ponto final de toda minha dor e quando você chega as catástrofes param pra ver nosso beijo demorar um pouco mais do que o meu incrível mal humor pode suportar. Eu, hoje percebo que está em você toda a força e a coragem que o mundo tem me negado durante esses últimos dias. É no seu beijo insistente que eu encontro a maioria das respostas pras perguntas que eu nunca te fiz. De todos os corpos lindos, de todos os caras desejáveis, hoje, você me parece o mais interessante, porque tem o formato que eu gosto, tem o desenho que eu comecei, é a arte final do meu rascunho. Através de toda a sua luta pra vencer o meu pessimismo eu vejo a sua alma boa, me abraçando devagar, me pedindo pra respirar fundo e aguentar mais um dia, outro dia e outro e outro. Hoje a sua felicidade irritante já não me irrita e a minha ironia ácida já não me parece tão forte assim. Você me diluiu na sua água e vai me bebendo a goles curtos, lentos, saboreando cada gota de mim. Você me destilou pra te embriagar. E eu, pra não decepcionar, tento ser tudo isso que você desejou que eu fosse, porque você tem sido tudo que eu nunca desejei... mas que eu sempre precisei...

terça-feira, 10 de julho de 2012

Quem é você?

Quem você pensa que é para chegar dessa forma e desorganizar a minha vida sempre tão organizada?
Quem te deu essa segurança irritante de saber o que me faz feliz?
Como você ousa me tirar da zona de conforto?
De onde você tirou essa petulância?
Quando foi que eu dei confiança para você me tocar com toda essa propriedade?
Quem autorizou você a me resgatar de um mundo tão meu? Mundo que eu criei e blindei para que ninguém mais pudesse chegar perto de mim
Quem te contou como eu gosto de ser beijada e abraçada? Quem revelou que eu finjo ser auto-suficiente, mas que no fundo não passo de um poço de fragilidade?
Por qual motivo se aproximou de mim, quando eu estava quieta?
Como é que a sua ausência pode me fazer sentir saudade imbecil?
De onde você veio?
Por que chega agora, quando eu já tinha decidido não me envolver?
Como se atreve a fazer desmoronar todo os planos frios e solitários que fiz pra mim?
Quem disse que eu queria que você viesse?
Quem é você?
Para onde você pensa que vai depois de mudar a minha vida?
Se não quiser esclarecer as minhas dúvidas, basta que fique perto

sábado, 16 de junho de 2012

Que seja agridoce.


Quão difícil é achar uma pessoa que te faça transbordar? Transbordar de sentimento, de paixão, de necessidade do outro. Transbordar de afeto, de desejo e porque não de tesão? Onde será que está a pessoa que vai me fazer transbordar novamente? Pensando a mesma coisa que eu? Me falam muitas vezes o quão difícil de lidar eu sou. O quão exigente para o amor, eu me tornei. E que assim eu nunca vou achar ninguém que seja o suficiente. O suficiente…. o que seria isso? Elas não entendem que eu não quero apenas o suficiente, eu quero o excesso. Não quero o suficiente, o limitado, o contado. Parece complicado, mas é mais fácil do que se imagina. Quero apenas o simples. Quão difícil é achar uma pessoa que goste de acampar, que goste de uma música boa, de assistir um filme, de dividir o milk shake e o último pedaço do bolo? Quero o simples do amor. Não quero cartas. Quem sabe um origami, aquele que você tanto tentou me ensinar. Quero que me mandem uma mensagem pedindo pra olhar a lua e me avisar que eu devia sair da frente desse computador e viver um pouco. Quero que joguem video-game comigo. E que amem isso. Quero que tenha brigas. Quero que tenha amassos de reconciliação. Quero um amor calmo, mas ao mesmo tempo que borbulhe. Não quero nhe nhe nhe demais, quero que seja na medida, que não enjoe, que seja agridoce. Quero alguém que me fale pra ficar quando eu gritar que vou embora. Quero alguém que fale por horas a fio comigo sobre séries, filmes e futebol. Que não se importe que eu vá na academia dia sim, outros 42 dias não. Alguém que apesar de ter me visto seis horas atrás, me abrace e sussurre ”Tava com saudade, pequena.” Quero a sensação de ver o mar e sentir ao mesmo tempo calma e euforia, quando eu vejo alguém. Quero a tremedeira nas pernas por causa de alguma presença. Quero olhar de cinco em cinco minutos pro visor do celular e desejar que alguém me salve. Quero ver as horas iguais e saber que não preciso disso para ter alguém pensando em mim. E apesar de não acreditar nisso, acreditar só por alguém. Quero que meus pais me envergonhem perguntando por alguém. E que eu sorria, por saber que existe alguém mesmo. Quero finalmente uma resposta pra dar a minha tia quando ela perguntar ”E os namorados?” e eu poder responder ”Foi jogar bola com meu irmão” Quero dedicatórias em livros, bilhetes na sacola do pão. Quero as borboletas invadindo meu estômago de novo. Quero alguém que cante ”Lucky” pra mim no violão. E acima de tudo, quero continuidade. Quero respeito. Não quero ser a única a me doar, muito menos a única a me doer. Quero reciprocidade. Quero alguém que aceite o meu ritmo. A c e l e r a d o, só que lento. E no final das contas, só quero a sorte de alguém querer o meu querer.