Se no futuro for isso mesmo, tudo bem, parabéns pra nós. Conseguimos!
Mas se não for, que não esteja muito longe, ou, ao menos, que não seja ruim. Porque eu
sei, você sabe,
qualquer um sabe que tentar adivinhar o futuro é inútil e que seja lá o
que existe, destino ou acaso, não será previsível. É por isso que a gente
não deveria se preocupar tanto com o que vai se parecer depois de cinco
anos, quinze, trinta. É o futuro, amor, não dá para adivinhar.
Se no futuro a casa for azul de cercas
brancas, bacana, mas se for amarela sem jardim, poxa, bacana também. Temos que
estar abertos às novas possibilidades e nunca nos deixar endurecer diante das
situações que exigem flexibilidade. Principalmente flexibilidade de opiniões.
Ser duro, ficar sempre focado no mesmo objetivo, vendo só um pedacinho do
horizonte, nos tira muitas chances de encontrar coisas ainda maiores do que as
que pensávamos estar procurando.
Talvez, lá na frente, os papéis se
invertam e você seja meu protetor, os braços que me dão segurança e conforto,
meu porto seguro. Talvez eu seja a que paga as contas, a que fica o dia todo
fora de casa e você o que troca as fraldas, o que conhece todas as professoras
da creche e vizinhas da rua. Talvez você esteja sabendo do dia do vencimento de
todas as contas, do preço do litro de leite, do gás, da nova taxa do lixo,
enquanto eu vou comentar das novidades da guerra na Líbia, das descobertas nas
pesquisas da vacina do HIV, dos escândalos econômicos do nosso país bagunçado.
Não há como saber! E, honestamente, me
interessa muito continuar não sabendo. Não que eu gosto de ser surpreendida o
tempo todo, mas não suportaria se soubesse que no futuro sua cama vai ter o
perfume de outra mulher, ou que o banco do passageiro do meu carro vai ter um
formato que não é da sua bundinha linda. Mesmo que, por algum motivo, essa
situação tenha sido escolhida por nós, não é minha escolha agora. Prefiro ser
surpreendida pelo divórcio futuro do que não viver a parte boa da história que
ainda temos pela frente.
Posso garantir que não quero saber do
futuro, nem controlá-lo. Mas se eu pudesse pedir, para Deus, para a sorte, para
seja lá o que for que possa interferir nas nossas vidas, pediria uma coisa só.
Não importa se você vai pagar as contas, se vou por silicone, se vai ganhar mal
ou se vou decidir virar escritora. Também não importa se eu vou trocar fraldas,
trocar de carro, ou se vamos nos mudar para a praia. O que me importa é
viver, seja lá o que vier, com você. Seria meu único pedido: que fosse com você!
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