quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Dos amores de hoje já não sei nada. Dos de amanhã, pff, nem pergunte. Não sei mais o que é para durar, o que é para curtir e o que é para acabar. Porque a gente sabe, todo mundo sabe, existem amores que começam para terminar! Onde é que está o amor quando a música acaba, quando as luzes coloridas à noite não iluminam mais, quando as mãos se dão por conveniência, não por desejo de segurar, de ter perto. Sento diante de uma janela invisível e assisto a vida das pessoas que passam pela minha e as que ainda virão. Vida vai, vida vem, e o amor entre elas é que faz tudo girar. Quem é que nasceu para ser fiel? E quem é que nasceu para não ser? E será que existe essa coisa de nascer pra algo? Vai ser diferente sempre? Vai ser sempre assim? Não sei, mas o que eu sei é que o amor de hoje não está nos livros, nem nos textos da internet, nem mesmo na boca de quem diz amar. O amor de hoje está na rua, na boca do lixo, e cada dia fica pior, mais sujo, mais feio, mais curto. Pede um cigarro, ama, apaga o cigarro, não ama mais. Hoje o amor tem que tomar cuidado com o copo de vodka, com o número de latas que já se foram, com como a música está. O amor é momentâneo, é mutável a cada nova cena, a cada nova festa e os amantes ainda não estão preparados para isso. É como a nova tecnologia na mão das crianças que ainda não sabem usá-la. É preciso ser cabeça para amar hoje em dia. O ciúme e a disposição para ser amado são complicados de entender, de aceitar, de diluir. Se alguém tem ciúme, é um ciúme extremo. Se alguém quer ser amado, deseja um amor extremo. Se quer amar alguém, é devoção extrema. No mundo dos sentimentos superlativos eu continuo neutra, na minha janela, privilegiada de bons ângulos, assistindo a vida alheia. Porque eu sei, sei muito bem, que quando saio na rua existem mais dezenas de janelas e olhos me assistindo, analisando minha vida, meu modo de viver, minhas escolhas e atos. Todo mundo se olha e tenta entender o amor alheio, quando, na verdade, nem o nosso próprio amor é totalmente conhecido por nós. Somos reféns do eterno medo da grama do vizinho ser mais verde... e cortamos amores como cortamos matos!

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