terça-feira, 22 de janeiro de 2013

não se mexe


Não chega desse jeito não. Me ligando, me fazendo rir, fazendo de tudo pra me ver. Não chega assim não, fazendo questão de mim, fazendo acontecer. Não vem cheio de atitude, me mostrando, logo de cara, que eu nunca tinha conhecido um homem antes. Não me conta suas histórias, sua vida doida, suas aventuras pelo mundo, que o meu mundo é do portão pra dentro. Não me invade. Não diz todas essas coisas que você sabe fazer e faz tão bem, para de falar sem pausa e me deixar boba te ouvindo. Faz assim, não sorri também. Tem sorriso que acaba comigo e o seu é nocaute. Não corta as minhas paranoias, não acaba com as dúvidas se eu devo mandar sms, se eu devo ligar, porque você já faz tudo isso e quando não, me pede um sinal de vida. Não me surpreende, não me encanta. É pedir demais? Não sai da mesmisse de todos os outros, não faz melhor ou tão melhor. Não me desarma, não estraga meus clichês. Não fica fazendo tudo certo, sem eu nem pedir. Não me acostuma mal, ou melhor, não me acostuma. Olha, fica aí quietinho, que só em existir você já me bagunça toda. Você só me faz o favor de piorar, da maneira mais incrível possível, aí fica tudo revirado e depois ninguém fica pra arrumar, sobra pra mim, sempre. Sobra mais um fim. Não se mexe!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Meu chão


Queria registrar minha eterna gratidão à pessoa mais importante desse mundo. Maior que meus problemas, colo pras minhas dores, proteção de qualquer mal, meu chão. Queria dizer, mãe, que você tava certa, sempre tá. Que o céu o limite pra nós, porque por onde eu for, te carrego comigo. Queria te agradecer por ter sido minha mãe, meu pai, minha vida desde sempre. Sempre te doeu me dar pouco, mas na verdade você sempre me deu muito, me deu tudo, porque eu tive amor e a melhor mãe do mundo, então nada nunca me faltou. Você optou por ser feliz só em me ver brilhar, optou por mim e eu vou ser o melhor por nós duas, sempre. Cada pedaço de mim é reflexo teu. E quando a gente se desentende é porque tô ficando parecida demais com você (que bom!). Então que não me falte nunca você pra eu me apoiar, você pra me amar sem maquiagem, roupa bonita ou palavras ensaiadas. Que nunca me falte tua palavra amiga, que sempre vem na hora certa, ainda que você não saiba do meu problema. Hoje eu voo sozinha, mas minhas asas são você. Hoje eu acredito em mim, porque você me convenceu. Não importa o quanto crescida eu esteja, vou ser sempre tua pequena. Por tudo que você foi, tem sido e sempre vai ser... Obrigada. ♥





Eu só queria um sinal. Sei lá, ligar a TV e alguém falar “espera um pouco, vai valer a pena”, sabe? É estranho pensar que talvez, as coisas só estejam desse jeito porque você tá carente, porque não tem opções melhores do que eu, porque de longe e pela internet, poucas pessoas topariam. Ao mesmo tempo, eu sei que o nosso novembro foi de verdade, era você aqui, comigo. Eu sei.
Eu que sempre te disse 'te amo' com a maior naturalidade do mundo, hoje me pergunto se os seus pra mim, são ditos da mesma maneira que antes. Com o mesmo significado. Porque cá entre nós, os meus não são iguais.
E não importa onde ou com quem eu esteja, meu pensamento tá sempre no mesmo lugar (2.594km daqui). Eu acho um absurdo você me controlar assim, com essa facilidade. Você não me deixa ir embora, mas nunca me pede pra ficar de vez. Talvez por não poder, sinceramente não sei. Só sei que com você eu sou inteira, sem risada alta, maquiagem, sem medo, com todas as minhas inseguranças expostas. Sou meu lado amiga e meu lado mulher, pela primeira vez eu sou os dois juntos. Deve ser por isso que eu tô assim.
Só quero te pedir pra não falar as coisas brincando. Fica sério e diz se me ama. Não me deixa desviar o olhar, desconversar, fala sério comigo. Eu só queria saber se tô nessa sozinha, se a brincadeira só ficou séria demais pra mim. Não quero adivinhar, achar, supor, quero ouvir de você que eu não tô louca, que a gente pode ter futuro. Porque se dependesse só de mim, a vida seria um eterno novembro.

sábado, 24 de novembro de 2012

Quase.

Todo mundo já teve um quase amor. O quase amor é aquele que ia ser amor, mas por ironia do destino, por um atraso do relógio, por um desencontro coraçãozal, por um tropeço da noite ou do dia, por uma frase colocada fora do roteiro, por excesso de gel no cabelo, por uma saia muito curta, por manias ordinárias, por manhas insuportáveis, por esquisitices da personalidade, não foi. Não foi amor, não evoluiu, não vingou, não bateu, não arrebatou, não cresceu. O quase amor é um bolo sem fermento. É uma planta sem adubo. É um scarpin com o salto quebrado. É sorriso com um pedaço de folha de alface se exibindo no dente da frente. O quase amor é a paixão que ficou de porre, acordou, levantou pé por pé, pegou a roupa, saiu de fininho, ligou do banheiro para a melhor amiga e disse "eu estava bêbada". Quase amor é a paixão que perdeu o trem, o táxi, o metrô, o ônibus, a lotação, o avião, o navio, o helicóptero. O quase amor é o amor que perdeu o cavalo, o patinete, a bicicleta, o carro, o triciclo. O quase amor é o amor que ficou perdido no meio do deserto, sem água, sem celular, sem secador de cabelo, sem NET, sem lixa de unha, sem travesseiro de penas, sem nada. O quase amor é o que vira nada um dia, o que só tem valor na lembrança - e olhe lá.

Cerveja, azedinho e saudade

Existem dias em que a gente tenta explicar o que está lá dentro e não sobram palavras. Existem dias em que a gente tenta expulsar o que está lá dentro e não tem jeito. Existem dias em que a gente não queria ter nada lá dentro e...não consegue!
Hoje pensei em você. Saí de casa e pensei em você o tempo inteiro. Não me concentrei em nada. Cheguei em casa e imaginei você aqui, do meu lado. Seu cheiro estava por ali, pelo menos no meu nariz. Têm vezes que o seu cheiro não quer me abandonar. Na verdade eu nem quero me libertar dele. Você ali ao meu lado. Eu com a cabeça no seu peito. Olhos fechados. Nosso corpo colado. Sua mão no meu cabelo. Minha boca no seu pescoço. Queria que fosse assim. Imaginei dessa forma: minha boca fazendo o seu pescoço de travesseiro. Minha mão fazendo a sua nuca de cobertor. E nóis dois sem prestar a menor atenção em nada, a não ser em nós mesmos. Cochichando. Não falando nada. Fazendo do silêncio o nosso melhor aliado. Fazendo do silêncio o nosso mais bonito olhar.
A noite terminou e eu vi que não adiantou nada trazê-lo para perto, mesmo em pensamento, pois você não veio.
Voltei pra casa me sentindo solitária e estranha e o dia se tornou solitário e estranho e eu abri uma latinha de cerveja. Cerveja, gelada. No verão é ótimo, desce bem, faz com que a noite não se torne tão inimiga. Então eu bebi e a cerveja foi passando pelo meu corpo inteiro e foi me dando um calor e um calor e um calor que me deu mais saudade de você.
Aí achei minha caixa de azedinhos lá no fundo armário. Meu preferido: azedinho de morango. Coloquei a mão na caixa e estava vazia. Devo ter feito alguma cara meio confusa, meio decepcionada. Então achei outra caixa: azedinho de maçã verde. Peguei 2 e saí. Mas fiquei pensando porque a caixa do meu preferido estava vazia. Detalhe: vazia e dentro do armário, dentro do armário e vazia. E me dei uma definição: me senti uma caixa vazia dentro de um armário abandonado. Uma caixa abandonada dentro de um armário vazio.

Aquela cerveja foi me causando sensações não traduzíveis, me encontrei semi-bêbada e com saudade. Não uma saudade ruim. Uma saudade doce. Doce e suave e com gosto de azedinho. Fui até o armário e vi que lá no fundo, bem atrás tinha o sobrevivente da caixa vazia. O último e abandonado azedinho preferido. Troféu da noite.

Passei a mão nele, enchi um copo de água gelada e fui para o quarto. Passei o meu dia a limpo. E pensei: não tem jeito. Eu te amo.

Vinte anos

Vinte anos é uma etapa ingrata. Você não é mais adolescente, mas também não se sente adulto. Você sabe que tem que se portar como adulto, mas não encontra a adultez em parte alguma, a não ser no futuro. Você não tem trinta, ainda não é gente grande. Mas você já deixou de ser gente pequena faz tempo.
Com vinte anos não se bate mais porta do quarto, ninguém foge mais de casa, não se esquiva de responsabilidades. Mas ainda se é perdoado com desculpas: ele (a) só tem vinte anos, é jovem!

Uma das melhores coisas da vida é a liberdade. A sensação de que você tem alguém ao lado, amigos, família, realização e...você é completamente livre! A liberdade para mim está diretamente relacionada ao espaço.

Preciso ter tempo para a minha própria solidão. Preciso de um sofá para sentar as minhas loucuras. Preciso andar de pé no chão. Preciso fingir que não ouço o telefone tocar. Preciso ficar sem falar nada nos primeiros minutos da manhã. Preciso do meu próprio silêncio e da minha própria música interna.

Ter vinte anos não quer dizer nada. Trinta. Quarenta. Quinze. Noventa. O que importa, no fundo, é quem você é quando está sozinho. Como você é quando está acompanhado. O que sobra quando a luz apaga. O que resta quando o sol acorda.

De qualquer forma, levo sempre o meu perfume. O meu caderno. Uma caneta. Batom. Lixa de unha. Minhas lembranças. Minha parte que cresceu. Meu lado que não amadureceu. De qualquer forma ninguém vai adivinhar os meus sorrisos. Eles são meus (e seus...).

segunda-feira, 19 de novembro de 2012



Ele me mudou tanto. Não consigo entender exatamente onde as mudanças começaram. Mas foram muitas. E acho que foi devagar. Se fosse rápido eu teria sentido. E talvez tivesse pisado forte no freio. Ninguém gosta de mudança, já que toda mudança implica uma perda. Quando a gente muda acaba saindo da zona de conforto. E a zona de conforto é, como o próprio nome diz, confortável, segura, boa.

Ele me deixou mais forte. A gente nunca percebe a força que tem até acontecer algo. E quando esse algo acontece, plim, surge aquela força absurda. E a gente se surpreende com as reações, pensamentos, sensações.

Ele me levou algumas pessoas. Poxa, eu lamento dizer isso, mas ninguém é eterno. E sabe aquele seu amigo muito amigo? Ele vai te deixar chateado. E sabe aquela pessoa incrível que você contava? Ela vai te decepcionar. E sabe aquela colega que almoçava todas as quartas junto com você? Ela vai passar a almoçar com outra pessoa depois que uma de vocês entrarem na faculdade. A vida é assim: traz algumas pessoas e afasta outras.

Ele me mostrou o que é um sentimento. É que nem sempre a gente sabe. Às vezes é necessário um empurrãozinho. Um beliscão. Uma queda ou um peteleco na orelha. A coisa está ali, ao seu lado, e nem sempre os seus olhos estão bem abertos para enxergar.

Ele me ensinou que os dias nem sempre são ensolarados. E que a chuva tem a sua beleza. O cinza também. E que nada é eterno. E que ninguém ganha sempre. E que esse é o grande barato de tudo.

Ele me fez ver que a beleza vai além de um salto alto, uma sombra preta, uma chapinha e unhas bem feitas. E que dinheiro não compra caráter. E que educação não está em nenhuma prateleira do supermercado.

Ele me fez acreditar que tudo passa. Que nenhuma dor é para sempre. Que nenhuma alegria dura 365 dias. Que a gente vive numa gangorra. E que o ditado “um dia é da caça, o outro do caçador” é a coisa mais verdadeira que existe.

Ele me deixou enciumada. É que todo mundo sabe quem ele é. Todo mundo já sentiu os efeitos que ele traz. Todo mundo já provou o seu sabor.

Ele, o tempo.