quarta-feira, 23 de outubro de 2013

tem que ir, vai.


Fiquei mal, ainda que eu já esperasse, a gente sempre espera não querendo que aconteça. Já tinha sido assim antes, eu conhecia o fim de trás pra frente e não ia fazer as mesmas coisas, errar comigo assim de novo. Acabei de sair de um inferno, jurando que não ir arriscar entrar em outro tão cedo, aí você aconteceu e eu não consegui e nem quis evitar. Tudo que eu queria era paz, mas você me fez tão bem e eu fui ficando, gostando, me apegando demais. Eu tenho medo todo dia, todo minuto, mas eu também morro de vontade, saudade de você, então eu paro de pensar nisso tudo e acordo e vou dormir mais um dia pensando em você. Não quero casar e ter filhos semana que vem. Não queria nem me envolver com ninguém desse planeta tão cedo. Só queria ficar parada, quietinha, pra nada me doer outra vez. Só que eu gosto muito de você, muito mesmo, de alguma forma estranha, ainda que esteja cedo pra isso, ou tarde, eu gosto demais. E, apesar dos pesares, eu prefiro estar com você hoje, amanhã e depois. Sem contrato de amor eterno, sem peso, sem pressão. Até o dia que não der mais e só, foi bom, acabou. Sou do tipo que quando decide alguma coisa, paga pra ver. Se for caro, tudo bem, porque tudo passa sempre. E se você escolher passar agora, tudo bem também. Eu escolho você, que fique claro. Mas se prefere ir embora, se cuida, não vou te pedir pra ficar.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Sobre os nossos 7 meses...


Depois de tantas idas e vindas, quem diria, você veio pra ficar. Depois de tantas crises, confusões, términos e recomeços, restou finalmente nós dois e o amor. E eu não pensei que a gente pudesse ser tão feliz, cheguei a desacreditar da idéia de sermos finalmente nós. Então a gente deve só confiar e continuar sendo assim, absurdamente feliz, eu sei. Mas aí eu me pego te abraçando forte, com medo de soltar e te perder. Que bobagem, né? Vai dar tudo certo, tem que dar, já deu. Sem paranoia e bloqueios, sou tua por inteiro, somos um só e então eu te dou um beijo aliviado e te solto. E você não vai embora, só deita no meu colo e continua em mim, como quem diz "Deixa de ser boba, aqui é o meu lugar". Eu sorrio, em paz. Que bom que aprendemos a ficar, a gostar, se entregar. Que bom que confiamos, acreditamos, tentamos. E se alguma coisa começar a desandar, só segura minha mão e tudo vai ficar bem. Não posso te perder por medo de te perder. Então eu repito pra mim mesma: Que bom que agora eu tenho você de verdade e me basta a loucura de te amar.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Eu vou.


Posso ser cheia de dúvidas, mas se tem uma coisa que não faz parte da minha vida é a paralisia. Você até pode me ver reclamar, berrar, me contorcer, mas de maneira nenhuma vai me ver calar, aceitar e me conformar com o que não for bom pra mim. Posso sentir meu passo lento, meu caminho incerto, mas você nunca vai me ver no acostamento esperando alguém passar pra me levar na garupa. Eu vou nem que eu tenha que ir andando, de ônibus ou de bicicleta. Eu vou nem que eu tenha que voltar pra arrumar outra forma de ir de novo.

Na vida, meu caro, não dá pra deixar barato.
Então, segue a risca ________ mas não deixa sua história em branco.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Na bagagem...



A felicidade anda do meu lado ultimamente. Começo até a achar que eu nasci para ser feliz mesmo.
Ela podia se tornar uma amiga fiel e seguir junto comigo para todo sempre.

Eu e a minha felicidade, viajando por aí.
Completas e à toa. Na mala do carro: cerveja, batata frita, kitkat, CDs, flores, luas, mares, montanhas e verdes. No banco de trás você ia estar do meu lado. Me confortando e sendo confortado. Recebendo e dando os carinhos, beijos e prazeres preferidos. A felicidade iria no banco da frente, dirigindo e guiando a gente.
Com essa bagagem, não importa onde iria me levar. Campo, praia, frio, quente, perto, longe, populoso, desabitado... Você, a felicidade e eu, não importaria. Cada um tem a sua versão do paraíso, o meu eu prefiro viver em vida e sem dúvidas, ao seu lado.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Revoar




E, de repente, eu senti a leveza de me interessar por outro alguém. Sem passado pesando, sem presente passando despercebido. Fiquei feliz, não em começar uma possível nova história, nem em, quem sabe dessa vez, acertar. Não tava surtando e planejando um futuro lindo, com filhos correndo pela casa e cachorro no quintal, com o cara que eu mal conheço. Nada de planos bonitos, que sempre acabam rasgados pelo chão. Era um interesse simples, era pele, olhos nos olhos, arrepio, vontade de estar perto. O que me fazia sorrir de canto a canto era eu estar andando na direção de um outro alguém, sem me sentir acorrentada a nada e a mais ninguém. Sem nenhuma expectativa e nenhuma obrigação. Não tava ali pra adormecer minha dor por umas horas, não tava distraindo minha saudade. Tava ali e só, ficando bem, sem forçar. O ponto não era o novo amor, entende? Era meu reabrir de asas.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

antes eu fosse



Por um tempo eu tentei convencer o mundo e a mim mesma, que eu era a menina de decote, maquiagem carregada e risada alta na fila do bar. Mas a verdade é que eu nunca fui. Acho incrível essa forma desapegada de dar sequência na vida, as piadas e histórias loucas e vazias. Mas nunca fui a menina do bar, uma pena. Pra ser sincera, eu tenho preguiça das outras pessoas da fila, dos meninos na porta do banheiro, das músicas sem letra, das cantadas baratas. Não conseguiria ser essa menina, embora ache um jeito bem mais simples de encarar o mundo, porque isso tudo me dá sono, mesmo entupida de energético. Porque antes do fim da noite eu já tô sentada, brincando com o canudo do drink, esperando a hora de ir embora. A impressão que eu tenho é que eu tô sempre esperando a hora de ir embora, de qualquer lugar e qualquer pessoa. A menina da fila tá dançando com o terceiro ou quarto cara da noite. Ela é divertida e linda. E eu queria ser assim, só que as pessoas são tão desinteressantes e previsíveis, que eu prefiro o canudo. Levantei e fui ao banheiro, ela tava lá, retocando a maquiagem. Enquanto eu lavava as mãos, ela arrumava o salto e reclamou “Nossa, dói demais, né? Mulher sofre!”. Eu sorri e concordei. Doía mesmo, quem dera fosse só o salto. Olhando nós duas pelo espelho, uma do lado da outra, a diferença era só o modelo do vestido. Mas éramos muito mais diferentes que isso. Ela tinha paciência com os babacas, o barman lerdo, os amigos bêbados, as meninas de nariz em pé. Ela só queria dançar, beber e curtir, porque a vida é complicada. Eu já entrei cansada e preferia o sofá, o copo, o canudo e todas as coisas sem vida daquele lugar, porque as pessoas são complicadas. Antes eu fosse a menina do bar.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

não se mexe


Não chega desse jeito não. Me ligando, me fazendo rir, fazendo de tudo pra me ver. Não chega assim não, fazendo questão de mim, fazendo acontecer. Não vem cheio de atitude, me mostrando, logo de cara, que eu nunca tinha conhecido um homem antes. Não me conta suas histórias, sua vida doida, suas aventuras pelo mundo, que o meu mundo é do portão pra dentro. Não me invade. Não diz todas essas coisas que você sabe fazer e faz tão bem, para de falar sem pausa e me deixar boba te ouvindo. Faz assim, não sorri também. Tem sorriso que acaba comigo e o seu é nocaute. Não corta as minhas paranoias, não acaba com as dúvidas se eu devo mandar sms, se eu devo ligar, porque você já faz tudo isso e quando não, me pede um sinal de vida. Não me surpreende, não me encanta. É pedir demais? Não sai da mesmisse de todos os outros, não faz melhor ou tão melhor. Não me desarma, não estraga meus clichês. Não fica fazendo tudo certo, sem eu nem pedir. Não me acostuma mal, ou melhor, não me acostuma. Olha, fica aí quietinho, que só em existir você já me bagunça toda. Você só me faz o favor de piorar, da maneira mais incrível possível, aí fica tudo revirado e depois ninguém fica pra arrumar, sobra pra mim, sempre. Sobra mais um fim. Não se mexe!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Meu chão


Queria registrar minha eterna gratidão à pessoa mais importante desse mundo. Maior que meus problemas, colo pras minhas dores, proteção de qualquer mal, meu chão. Queria dizer, mãe, que você tava certa, sempre tá. Que o céu o limite pra nós, porque por onde eu for, te carrego comigo. Queria te agradecer por ter sido minha mãe, meu pai, minha vida desde sempre. Sempre te doeu me dar pouco, mas na verdade você sempre me deu muito, me deu tudo, porque eu tive amor e a melhor mãe do mundo, então nada nunca me faltou. Você optou por ser feliz só em me ver brilhar, optou por mim e eu vou ser o melhor por nós duas, sempre. Cada pedaço de mim é reflexo teu. E quando a gente se desentende é porque tô ficando parecida demais com você (que bom!). Então que não me falte nunca você pra eu me apoiar, você pra me amar sem maquiagem, roupa bonita ou palavras ensaiadas. Que nunca me falte tua palavra amiga, que sempre vem na hora certa, ainda que você não saiba do meu problema. Hoje eu voo sozinha, mas minhas asas são você. Hoje eu acredito em mim, porque você me convenceu. Não importa o quanto crescida eu esteja, vou ser sempre tua pequena. Por tudo que você foi, tem sido e sempre vai ser... Obrigada. ♥





Eu só queria um sinal. Sei lá, ligar a TV e alguém falar “espera um pouco, vai valer a pena”, sabe? É estranho pensar que talvez, as coisas só estejam desse jeito porque você tá carente, porque não tem opções melhores do que eu, porque de longe e pela internet, poucas pessoas topariam. Ao mesmo tempo, eu sei que o nosso novembro foi de verdade, era você aqui, comigo. Eu sei.
Eu que sempre te disse 'te amo' com a maior naturalidade do mundo, hoje me pergunto se os seus pra mim, são ditos da mesma maneira que antes. Com o mesmo significado. Porque cá entre nós, os meus não são iguais.
E não importa onde ou com quem eu esteja, meu pensamento tá sempre no mesmo lugar (2.594km daqui). Eu acho um absurdo você me controlar assim, com essa facilidade. Você não me deixa ir embora, mas nunca me pede pra ficar de vez. Talvez por não poder, sinceramente não sei. Só sei que com você eu sou inteira, sem risada alta, maquiagem, sem medo, com todas as minhas inseguranças expostas. Sou meu lado amiga e meu lado mulher, pela primeira vez eu sou os dois juntos. Deve ser por isso que eu tô assim.
Só quero te pedir pra não falar as coisas brincando. Fica sério e diz se me ama. Não me deixa desviar o olhar, desconversar, fala sério comigo. Eu só queria saber se tô nessa sozinha, se a brincadeira só ficou séria demais pra mim. Não quero adivinhar, achar, supor, quero ouvir de você que eu não tô louca, que a gente pode ter futuro. Porque se dependesse só de mim, a vida seria um eterno novembro.

sábado, 24 de novembro de 2012

Quase.

Todo mundo já teve um quase amor. O quase amor é aquele que ia ser amor, mas por ironia do destino, por um atraso do relógio, por um desencontro coraçãozal, por um tropeço da noite ou do dia, por uma frase colocada fora do roteiro, por excesso de gel no cabelo, por uma saia muito curta, por manias ordinárias, por manhas insuportáveis, por esquisitices da personalidade, não foi. Não foi amor, não evoluiu, não vingou, não bateu, não arrebatou, não cresceu. O quase amor é um bolo sem fermento. É uma planta sem adubo. É um scarpin com o salto quebrado. É sorriso com um pedaço de folha de alface se exibindo no dente da frente. O quase amor é a paixão que ficou de porre, acordou, levantou pé por pé, pegou a roupa, saiu de fininho, ligou do banheiro para a melhor amiga e disse "eu estava bêbada". Quase amor é a paixão que perdeu o trem, o táxi, o metrô, o ônibus, a lotação, o avião, o navio, o helicóptero. O quase amor é o amor que perdeu o cavalo, o patinete, a bicicleta, o carro, o triciclo. O quase amor é o amor que ficou perdido no meio do deserto, sem água, sem celular, sem secador de cabelo, sem NET, sem lixa de unha, sem travesseiro de penas, sem nada. O quase amor é o que vira nada um dia, o que só tem valor na lembrança - e olhe lá.

Cerveja, azedinho e saudade

Existem dias em que a gente tenta explicar o que está lá dentro e não sobram palavras. Existem dias em que a gente tenta expulsar o que está lá dentro e não tem jeito. Existem dias em que a gente não queria ter nada lá dentro e...não consegue!
Hoje pensei em você. Saí de casa e pensei em você o tempo inteiro. Não me concentrei em nada. Cheguei em casa e imaginei você aqui, do meu lado. Seu cheiro estava por ali, pelo menos no meu nariz. Têm vezes que o seu cheiro não quer me abandonar. Na verdade eu nem quero me libertar dele. Você ali ao meu lado. Eu com a cabeça no seu peito. Olhos fechados. Nosso corpo colado. Sua mão no meu cabelo. Minha boca no seu pescoço. Queria que fosse assim. Imaginei dessa forma: minha boca fazendo o seu pescoço de travesseiro. Minha mão fazendo a sua nuca de cobertor. E nóis dois sem prestar a menor atenção em nada, a não ser em nós mesmos. Cochichando. Não falando nada. Fazendo do silêncio o nosso melhor aliado. Fazendo do silêncio o nosso mais bonito olhar.
A noite terminou e eu vi que não adiantou nada trazê-lo para perto, mesmo em pensamento, pois você não veio.
Voltei pra casa me sentindo solitária e estranha e o dia se tornou solitário e estranho e eu abri uma latinha de cerveja. Cerveja, gelada. No verão é ótimo, desce bem, faz com que a noite não se torne tão inimiga. Então eu bebi e a cerveja foi passando pelo meu corpo inteiro e foi me dando um calor e um calor e um calor que me deu mais saudade de você.
Aí achei minha caixa de azedinhos lá no fundo armário. Meu preferido: azedinho de morango. Coloquei a mão na caixa e estava vazia. Devo ter feito alguma cara meio confusa, meio decepcionada. Então achei outra caixa: azedinho de maçã verde. Peguei 2 e saí. Mas fiquei pensando porque a caixa do meu preferido estava vazia. Detalhe: vazia e dentro do armário, dentro do armário e vazia. E me dei uma definição: me senti uma caixa vazia dentro de um armário abandonado. Uma caixa abandonada dentro de um armário vazio.

Aquela cerveja foi me causando sensações não traduzíveis, me encontrei semi-bêbada e com saudade. Não uma saudade ruim. Uma saudade doce. Doce e suave e com gosto de azedinho. Fui até o armário e vi que lá no fundo, bem atrás tinha o sobrevivente da caixa vazia. O último e abandonado azedinho preferido. Troféu da noite.

Passei a mão nele, enchi um copo de água gelada e fui para o quarto. Passei o meu dia a limpo. E pensei: não tem jeito. Eu te amo.

Vinte anos

Vinte anos é uma etapa ingrata. Você não é mais adolescente, mas também não se sente adulto. Você sabe que tem que se portar como adulto, mas não encontra a adultez em parte alguma, a não ser no futuro. Você não tem trinta, ainda não é gente grande. Mas você já deixou de ser gente pequena faz tempo.
Com vinte anos não se bate mais porta do quarto, ninguém foge mais de casa, não se esquiva de responsabilidades. Mas ainda se é perdoado com desculpas: ele (a) só tem vinte anos, é jovem!

Uma das melhores coisas da vida é a liberdade. A sensação de que você tem alguém ao lado, amigos, família, realização e...você é completamente livre! A liberdade para mim está diretamente relacionada ao espaço.

Preciso ter tempo para a minha própria solidão. Preciso de um sofá para sentar as minhas loucuras. Preciso andar de pé no chão. Preciso fingir que não ouço o telefone tocar. Preciso ficar sem falar nada nos primeiros minutos da manhã. Preciso do meu próprio silêncio e da minha própria música interna.

Ter vinte anos não quer dizer nada. Trinta. Quarenta. Quinze. Noventa. O que importa, no fundo, é quem você é quando está sozinho. Como você é quando está acompanhado. O que sobra quando a luz apaga. O que resta quando o sol acorda.

De qualquer forma, levo sempre o meu perfume. O meu caderno. Uma caneta. Batom. Lixa de unha. Minhas lembranças. Minha parte que cresceu. Meu lado que não amadureceu. De qualquer forma ninguém vai adivinhar os meus sorrisos. Eles são meus (e seus...).

segunda-feira, 19 de novembro de 2012



Ele me mudou tanto. Não consigo entender exatamente onde as mudanças começaram. Mas foram muitas. E acho que foi devagar. Se fosse rápido eu teria sentido. E talvez tivesse pisado forte no freio. Ninguém gosta de mudança, já que toda mudança implica uma perda. Quando a gente muda acaba saindo da zona de conforto. E a zona de conforto é, como o próprio nome diz, confortável, segura, boa.

Ele me deixou mais forte. A gente nunca percebe a força que tem até acontecer algo. E quando esse algo acontece, plim, surge aquela força absurda. E a gente se surpreende com as reações, pensamentos, sensações.

Ele me levou algumas pessoas. Poxa, eu lamento dizer isso, mas ninguém é eterno. E sabe aquele seu amigo muito amigo? Ele vai te deixar chateado. E sabe aquela pessoa incrível que você contava? Ela vai te decepcionar. E sabe aquela colega que almoçava todas as quartas junto com você? Ela vai passar a almoçar com outra pessoa depois que uma de vocês entrarem na faculdade. A vida é assim: traz algumas pessoas e afasta outras.

Ele me mostrou o que é um sentimento. É que nem sempre a gente sabe. Às vezes é necessário um empurrãozinho. Um beliscão. Uma queda ou um peteleco na orelha. A coisa está ali, ao seu lado, e nem sempre os seus olhos estão bem abertos para enxergar.

Ele me ensinou que os dias nem sempre são ensolarados. E que a chuva tem a sua beleza. O cinza também. E que nada é eterno. E que ninguém ganha sempre. E que esse é o grande barato de tudo.

Ele me fez ver que a beleza vai além de um salto alto, uma sombra preta, uma chapinha e unhas bem feitas. E que dinheiro não compra caráter. E que educação não está em nenhuma prateleira do supermercado.

Ele me fez acreditar que tudo passa. Que nenhuma dor é para sempre. Que nenhuma alegria dura 365 dias. Que a gente vive numa gangorra. E que o ditado “um dia é da caça, o outro do caçador” é a coisa mais verdadeira que existe.

Ele me deixou enciumada. É que todo mundo sabe quem ele é. Todo mundo já sentiu os efeitos que ele traz. Todo mundo já provou o seu sabor.

Ele, o tempo.

Ei, vem aqui, não faz assim. Por favor, me ouve. Não finge que não liga, não dá de ombros, não faz essa cara de quem não quer prestar atenção e de quem pouco se importa. Eu sei que você se importa, ou pelo menos, tenho certeza que já se importou um dia. Por que tem que ser assim? Por que as coisas não podem simplesmente ficar numa boa?

Alguém inventou essa história maluca que o amor tem que durar pra sempre. Então a gente fica naquela obrigação de ser perfeito, de fazer acontecer, de ter êxito, de não fracassar. Não consigo mais levar isso adiante, não. Eu sou um fracasso, na minha testa está escrito em letras imensas LOSER. 

Não, eu não consigo parar de lembrar como a gente foi feliz. Era tão bom gostar de você. Era tão bom ver o seu sorriso de manhã. Coisas assim, meio de filme. Mas a nossa vida é realidade pura. E sem flores. Uma das minhas maiores dores é saber que, não importa quanto tempo passe, eu nunca vou esquecer você. 

Você foi a pessoa mais importante da minha vida e com você eu aprendi muita coisa sobre o amor. Mas o amor é que nem um bebê de colo: precisa de cuidados e supervisão constante. Acho que a gente não soube cuidar bem desse bebê. Nem da gente mesmo.

Por que as pessoas se perdem? Eu sempre disse: se não for pra acrescentar alguma coisa, por favor, não bagunça a minha vida. Gosto de quem soma. E a gente somou, você somou, eu somei. Até o momento em que as brigas começaram e a gente fez questão de se diminuir.

Nosso amor teve muitos silêncios e vírgulas. Cheguei a ficar engasgada com tantas reticências. Não dava mais, não estava mais funcionando. É, às vezes as coisas não funcionam. Estragam. Se partem.

Mas só porque acabou não quer dizer que não deu certo e não foi bom. Nem sempre as coisas são eternas. Mas nem por isso deixam de ser especiais. Por favor, entenda isso. Entenda que o nosso amor deu certo. E me deixa livre para seguir. Eu prometo que te deixo livre para seguir também. Detesto histórias sem fim. Todo mundo precisa de um ponto final para poder começar um novo parágrafo. Boa sorte para nós dois. A gente merece.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Eu sempre fui metódica e inconsequente, por mais contraditório que isso pareça. Sempre soube o que devia ser feito de trás pra frente, mas sempre ignorei o mundo e todos os conselhos, porque eu queria fazer e ponto, isso me bastava. Amanhã é outro dia, não é? E ficava entregue aos meus impulsos até quando a pergunta "Tá valendo a pena?" fosse respondida por um "Não!" imediato. Muitos planos na gaveta, mas sempre procurei não jogar em ninguém o peso deles, até porque ninguém nunca mereceu ser o cara dos meus planos, vale a pena frisar. Ou, pra não ser injusta, nunca tive sintonia com os bons candidatos, tenho essa pré-disposição a quem vá me enlouquecer em pouco tempo. Minha amiga me disse que o meu tipo é gente problemática e eu não pude negar, ela tava certa. Por algum motivo que eu desconheço, trago escrito na testa essa minha preferência por relacionamentos, programas a dois e todo esse mimimi. Prefiro mesmo e isso assusta, eu sei. Mas se eu não soubesse segurar o tranco de ser só, estaria namorando por conveniência ou carência há muito tempo, mas isso ninguém vê. Ouvi muitas vezes a mesma coisa, mesmo argumento, uma fala oficial que me dá sono. Mas queria dizer dessa vez que se eu fosse mesmo pequena, indefesa e assustada, eu quem iria fugir. Nunca o fiz.

domingo, 28 de outubro de 2012

Limpeza da alma

Eu bebia para vomitar aos litros. Não escondia de ninguém, mas também não ficava pedindo atenção, querendo ser a rainha da gorfada, a mestre do “passar mal” de bêbada. Esse era meu plano, simples, eficaz e primitivo: vomitaria tudo. Os outros diziam que eu bebia para esquecer, que era refúgio, que eu estava tentando esconder tudo que eu sentia atrás de garrafas e mais garrafas de álcool. Todos estúpidos, não sabiam de nada. Na verdade eu não escondia, nem fugia de nada. Estava metida até a tampa no meio dos meus fracassos e decepções, lembrando sempre de cada uma das minhas tristezas e bebendo para botá-las para fora. Esse era o plano: vomitar tudo de ruim que estava guardado dentro de mim.

Eu me esvaziava de lembranças e sentimentos para ver se conseguia viver em paz. É como uma garota que enfia uma escova de dentes no fundo da garganta para não engordar depois do almoço. Nesses dias de limpeza pesada eu mandava embora as brigas. Eu as misturava com o produto de um desejo infinito de mijar a vida inteira, expelindo uma porção de crises de ciúme que ficaram em silêncio, cinismos que escondiam explosões de humor, mas que se resumiam a caras fechadas e sorrisos amarelos.
Ficava alucinada gritando uma porção de dores e tristezas. Berrava uma porção de coisas que eu deveria ter dito e não disse, uma porção de cosias que eu ouvi e não deveria ter ouvido, uma porção de coisas que eu vi e não deveria ter visto, uma porção de coisas que eu fiz e não deveria terem sido vistas por ninguém. Eu gritava os perdidos que eu dei. Gritava as vezes que fui traída. Gritava todos os dias em que fiquei sozinha pensando absurdos. Gritava as maiores frustrações do mundo. Depois eu começava a ficar sem voz, o corpo esquentava absurdos e eu suava. Suava litros, perdia água como quem abre as portas de uma barragem. Nessas eu suava as melhores coisas. Deixava sair pelos poros todas as vezes que eu disse que foi o melhor sexo da minha vida, que era o homem da minha vida, todas as vezes que eu dizia que seria pra sempre e expurgava todas as coisas que eu queria que tivessem sido reais.

Eu suava as risadas dela e via as gotas escorrerem, suava as viagens, suava os rostos, as caretas, as coisas que me faziam rir, as piadas e ia esquecendo de tudo. Evaporava cada coisa boa e ia ficando leve, perdendo passados e memórias de coisas que nunca mais iam se repetir. Ficava muito louca, com as pupilas parecendo bueiros abertos e as lágrimas se juntavam com as gotas de suor. Eu chorava, bem de vez em quando, uma porção de coisas sérias, como imagens de parentes que eu queria trazer para a minha própria família, comidas que eu nunca mais vou comer, sensações, texturas, cores e sons que eu nunca mais vou ouvir. Eu chorava porque perder lembranças boas exige coragem e eu sempre fui covarde pras dores do coração e da alma. Lavar a alma é dolorido, cansa, dá trabalho e cobra-se caro pelo serviço.

Quando estava tudo branco, como se fosse uma morte-viva, uma inconsciência planejada, eu me esquecia de lembrar de tudo que era de antes e me convencia de que o mundo era uma incerteza infinita, exceto por uma única coisa: “preciso me apaixonar por alguém”, e me jogava na cachaça outra vez.

domingo, 21 de outubro de 2012



A ansiedade é responsável pela maioria das vezes que a gente odeia o silêncio. Esperar a palavra de alguém, uma resposta, um simples “oi” faz o silêncio passar de pacífica sensação de paz a terrível sensação de desespero. O silêncio é como uma bandeira de rejeição que não tem cor, nem mastro, nem pano, mas está lá, nítida e imponente, para que você saiba que ele existe. Ele é uma entidade, não uma situação.

A falta de comunicação vai tão além da falta de som que é possível ficar em silêncio no lugar mais barulhento que se pode imaginar. Quantas vezes não me senti extremamente incomodada com o silêncio de alguém enquanto meus ouvidos ardiam agoniados com barulho demais. Existe a falta de som e o silêncio. E acredite: eles não são equivalentes!

Esperar algo de alguém, uma comunicação banal que seja, gera o silêncio. Estar em um lugar sem nenhum som, nenhum barulho, nenhum nada ainda pode ser extremamente ruidoso e barulhento. Os olhos falam mais alto que qualquer garganta! As palavras gritam mais que qualquer desespero e o toque, o gesto delicado, revela mais informações do que a mais longa das conversas. A expectativa de receber esse tipo de comunicação é que gera o silêncio, a falta de som, não.

O silêncio é aquela sensação estranha de quando você escreve um bilhete e, ao invés de responder, a pessoa simplesmente guarda o papel e continua fazendo o que estava fazendo antes. Ou quando você manda uma mensagem de celular que levou meia hora pra ter coragem de escrever e a resposta nunca vem. Ou até quando você vê a tela do computador mostrando o chat só com a sua frase vazia na tela branca e mais nada, nem um “fulano está digitando uma mensagem…” para te acalmar. O silêncio tira a calma de qualquer um!

Também fica essa sensação estranha quando a despedida com beijo na boca vira um abraço com uma bochecha encostando na outra, sem lábio, sem sentimento, sem quase nenhuma intimidade. Acontece quando você segura a mão de alguém e ela não segura de volta, simplesmente deixa a mão ali para você carregar. São faltas de respostas, de atitudes, que geram o silêncio.

Essa nossa necessidade de ter uma resposta, de esperar do outro uma atitude específica, faz com que a vida pareça mais injusta, menos amável, menos macia. De que adianta ter amor, dar amor, ser feliz, ser sincero se, a qualquer momento, a reciprocidade acaba e de repente o mundo não é mais tão feliz, nem tão amável, nem tão sincero. A vida parece uma brincadeira de mal gosto quando se espera de alguém uma resposta que não vem, ou vem errada, ou truncada, ou oposta.

É como se esforçar para conquistar algo que, mais dia menos dia, não vai dar em lugar algum. É o morrer na praia sonhando com a vida nova, a escalada ao cume que está sempre encoberto por nuvens e nunca revela a verdadeira vista de lá de cima. É a expectativa crua, daquela que simplesmente nasce da esperança de algo acontecer, sem planos a longo prazo, sem estratégia, só querer e precisar.

Quando se quer a resposta certa, o gesto específico, a situação exata, o tempo para de passar. A espera se torna eterna, tudo se torna chato e sem razão, como se fosse mais fácil dormir do que esperar. É o silêncio que nos deixa assim, e quem o alimenta é a ansiedade de esperar do outro exatamente o que nós oferecemos. Quando percebi isso tudo cheguei à conclusão de que o dinheiro que vai, geralmente é bem maior do que o troco que volta e, mesmo assim, o produto ainda vale a pena. Vale a pena o silêncio!

terça-feira, 25 de setembro de 2012


Sou traída pela minha repulsa a romances baratos mais uma vez. Homem barato com conversinha barata, um namoro desesperado e o amor banalizado. Traída ou salva, jogo de sorte. Meu tempo é caro demais pra tanta promoção de alma. Nada me assusta e afasta mais que isso. Quero toda distância possível de gente que se joga nos outros pra descansar, esse povo que suga a vida do outro pra tentar se sentir menos vazio. Me dá até um frio na espinha esse tipo de carência doente. Essa obsessão de não ficar só, essa necessidade que se cria e sufoca. 
Sou livre demais. Sou passarinho e só pouso quando e em quem eu quero, então não tenta me botar na gaiola, que eu morro. Não se mexe rápido demais, que eu fujo. É que gente muito fácil me espanta, não sei lidar com caminho escancarado, acho duvidoso demais quando eu já chego sendo algemada. Não nasci pra algemas, aliás. Desculpa a frieza ou a má metáfora, mas é que produto barato demais custa caro, quando te empurram muito alguma coisa, é quase certo não funcionar bem. Desculpa também minha saída pela janela, meu jeito desastrado de ficar e pior ainda de ir embora. É que ficar por ficar, é pior que qualquer desastre, então vamos pular essa parte. Que amor é sentimento e não arte e eu não sei fingir.

Ele e seu roteiro batido. Jurando que eu ia me derreter em cada linha, cair de amores no primeiro parágrafo. Mal sabe ele que eu sei cada vírgula de cor e na segunda frase já caia sim, mas de sono. Típico carinha que procura romances com data de validade, um amor pra vida toda que dure no máximo um mês. Porque toda essa coisa de relacionamento, convívio, ceder e se doar é complexo e trabalhoso demais e nada se resolve depois de uns copos de vodka. E qualquer tentativa a longo prazo vem lacrado com uma faixa de perigo e cheia de riscos, dores e feridas permanentes. E é tão mais prático brincar de casal. É tão mais fácil só receber, fazer parte dos planos de tantas garotas que ele nem lembra o nome. Não dói, tem coisa melhor que isso? Pra ele não e por que eu perderia meu tempo tentando reverter a solidão de alguém? A troco de que eu ia passar horas explicando que isso é patético? Continua brincando de ser feliz, só não me tira como idiota. Decora teu texto e diz do modo mais convincente que você conseguir pra qualquer uma nesse mundo, mas me poupa. Só me poupa. Que essas tentativas de ficção de amor, com esse ar de sou-tão-esperto me ofendem e eu ando sem paciência. Acontece que a gente tem mesmo esse instinto individualista e solitário e eu tô dando espaço ao meu. Sabe, esse impulso de se isolar, esses reflexos de egoísmo. Tô tentando ser na vida, quem eu sou no ônibus. Já entro em busca de um banco completamente vazio e sento na janela. Se alguém senta do lado, fico aflita procurando outro banco vago pro resto da viagem. Sem conversinha furada, sem relatos sobre a vida ou previsão do tempo. Sem ambulante, se desculpando por atrapalhar o silêncio da viagem, mas já atrapalhando e muito. Só eu, comigo, pensando em mim e sentindo o vento no rosto. Porque nessa de tentar, já perdi tempo, amor, sonhos, crenças, paciência e me perdi também. Então vamos combinar assim: Fale à passageira somente o indispensável. A menos que tenha algo a dizer melhor que o seu silêncio, o que é difícil. Agradeço.

domingo, 23 de setembro de 2012

In memória.


E lá se foram sete dias sem você, pequena. Em pensar que você era sempre a primeira a ler cada texto meu.  Esse você não vai. Justo esse, que é pra você.
Você deve estar aí de cima, me assistindo escrever isso aqui e me chamando de ‘arregona’ ou de ‘pau mole’.  Consigo imaginar você falando.  Consigo lembrar da sua risada. Só não consigo te ouvir. A sua ausência faz silêncio nos lugares mais barulhentos.

Otárias, biscas, putas veias. A palavra amizade tem mais sentido agora.Conversas que só tem graça se forem na hora estudar, madrugadas que só rendem aprendizado se forem na Adri (e se a prova for no dia seguinte), notas baixas que só não são tão ruins porque tá todo mundo na merda junto, trabalhos que se forem em grupo tem que ser de SEIS pessoas e se não for a gente faz ser, noites do pijama sensual que de sensual só tem o nome, cachaças que só tem graça se vierem seguidas de um ‘que isso novinha?’ pra dançarmos até o chão, aulas chatas pra caramba que só são superadas com muitos bilhetinhos e mensagens, almoços que só são bem digeridos com muito refrigerante (e celulites de brinde), desilusões amorosas que só não são tão doloridas porque é dor dividida em SEIS. É muita mulher pertubada. É muita TPM todo mês. É muito coração partido junto. O resultado disso? Um sexteto. Uma amizade pra vida toda (tenho certeza absoluta disso). Futuras cirurgiões-dentistas muito bem servidas de parceria e ombro pra chorar. (af, que deprê!) Se vai dar tudo certo eu não sei, só sei que se der errado eu to com vocês, SEMPRE!”
Esse texto me lembra que não são mais seis travesseiros, seis pratos na mesa, conta do mercado dividida por seis. Cinco rodízios de sushi e um sobá pra você. Não somos mais seis.

Faltam 17 dias pra viagem que a gente tanto sonhou. Sonhamos juntas. Contamos os dias juntas. Um sonho que a gente vai viver por você, pra você. Cada sorriso, cada brinde, cada música... você será lembrada em cada detalhe.

A família odonto 2014, hoje pode ser chamada de família graças a você. As picuinhas foram esquecidas, os grupinhos estão se desmanchando e até o clube do bolinha dos meninos está aceitando a nossa companhia. Choramos juntos a sua partida e hoje, somos uma família que tem até anjo. Fica em paz, amiga. A gente te ama. Muito. Pra sempre.