terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Meu chão


Queria registrar minha eterna gratidão à pessoa mais importante desse mundo. Maior que meus problemas, colo pras minhas dores, proteção de qualquer mal, meu chão. Queria dizer, mãe, que você tava certa, sempre tá. Que o céu o limite pra nós, porque por onde eu for, te carrego comigo. Queria te agradecer por ter sido minha mãe, meu pai, minha vida desde sempre. Sempre te doeu me dar pouco, mas na verdade você sempre me deu muito, me deu tudo, porque eu tive amor e a melhor mãe do mundo, então nada nunca me faltou. Você optou por ser feliz só em me ver brilhar, optou por mim e eu vou ser o melhor por nós duas, sempre. Cada pedaço de mim é reflexo teu. E quando a gente se desentende é porque tô ficando parecida demais com você (que bom!). Então que não me falte nunca você pra eu me apoiar, você pra me amar sem maquiagem, roupa bonita ou palavras ensaiadas. Que nunca me falte tua palavra amiga, que sempre vem na hora certa, ainda que você não saiba do meu problema. Hoje eu voo sozinha, mas minhas asas são você. Hoje eu acredito em mim, porque você me convenceu. Não importa o quanto crescida eu esteja, vou ser sempre tua pequena. Por tudo que você foi, tem sido e sempre vai ser... Obrigada. ♥





Eu só queria um sinal. Sei lá, ligar a TV e alguém falar “espera um pouco, vai valer a pena”, sabe? É estranho pensar que talvez, as coisas só estejam desse jeito porque você tá carente, porque não tem opções melhores do que eu, porque de longe e pela internet, poucas pessoas topariam. Ao mesmo tempo, eu sei que o nosso novembro foi de verdade, era você aqui, comigo. Eu sei.
Eu que sempre te disse 'te amo' com a maior naturalidade do mundo, hoje me pergunto se os seus pra mim, são ditos da mesma maneira que antes. Com o mesmo significado. Porque cá entre nós, os meus não são iguais.
E não importa onde ou com quem eu esteja, meu pensamento tá sempre no mesmo lugar (2.594km daqui). Eu acho um absurdo você me controlar assim, com essa facilidade. Você não me deixa ir embora, mas nunca me pede pra ficar de vez. Talvez por não poder, sinceramente não sei. Só sei que com você eu sou inteira, sem risada alta, maquiagem, sem medo, com todas as minhas inseguranças expostas. Sou meu lado amiga e meu lado mulher, pela primeira vez eu sou os dois juntos. Deve ser por isso que eu tô assim.
Só quero te pedir pra não falar as coisas brincando. Fica sério e diz se me ama. Não me deixa desviar o olhar, desconversar, fala sério comigo. Eu só queria saber se tô nessa sozinha, se a brincadeira só ficou séria demais pra mim. Não quero adivinhar, achar, supor, quero ouvir de você que eu não tô louca, que a gente pode ter futuro. Porque se dependesse só de mim, a vida seria um eterno novembro.

sábado, 24 de novembro de 2012

Quase.

Todo mundo já teve um quase amor. O quase amor é aquele que ia ser amor, mas por ironia do destino, por um atraso do relógio, por um desencontro coraçãozal, por um tropeço da noite ou do dia, por uma frase colocada fora do roteiro, por excesso de gel no cabelo, por uma saia muito curta, por manias ordinárias, por manhas insuportáveis, por esquisitices da personalidade, não foi. Não foi amor, não evoluiu, não vingou, não bateu, não arrebatou, não cresceu. O quase amor é um bolo sem fermento. É uma planta sem adubo. É um scarpin com o salto quebrado. É sorriso com um pedaço de folha de alface se exibindo no dente da frente. O quase amor é a paixão que ficou de porre, acordou, levantou pé por pé, pegou a roupa, saiu de fininho, ligou do banheiro para a melhor amiga e disse "eu estava bêbada". Quase amor é a paixão que perdeu o trem, o táxi, o metrô, o ônibus, a lotação, o avião, o navio, o helicóptero. O quase amor é o amor que perdeu o cavalo, o patinete, a bicicleta, o carro, o triciclo. O quase amor é o amor que ficou perdido no meio do deserto, sem água, sem celular, sem secador de cabelo, sem NET, sem lixa de unha, sem travesseiro de penas, sem nada. O quase amor é o que vira nada um dia, o que só tem valor na lembrança - e olhe lá.

Cerveja, azedinho e saudade

Existem dias em que a gente tenta explicar o que está lá dentro e não sobram palavras. Existem dias em que a gente tenta expulsar o que está lá dentro e não tem jeito. Existem dias em que a gente não queria ter nada lá dentro e...não consegue!
Hoje pensei em você. Saí de casa e pensei em você o tempo inteiro. Não me concentrei em nada. Cheguei em casa e imaginei você aqui, do meu lado. Seu cheiro estava por ali, pelo menos no meu nariz. Têm vezes que o seu cheiro não quer me abandonar. Na verdade eu nem quero me libertar dele. Você ali ao meu lado. Eu com a cabeça no seu peito. Olhos fechados. Nosso corpo colado. Sua mão no meu cabelo. Minha boca no seu pescoço. Queria que fosse assim. Imaginei dessa forma: minha boca fazendo o seu pescoço de travesseiro. Minha mão fazendo a sua nuca de cobertor. E nóis dois sem prestar a menor atenção em nada, a não ser em nós mesmos. Cochichando. Não falando nada. Fazendo do silêncio o nosso melhor aliado. Fazendo do silêncio o nosso mais bonito olhar.
A noite terminou e eu vi que não adiantou nada trazê-lo para perto, mesmo em pensamento, pois você não veio.
Voltei pra casa me sentindo solitária e estranha e o dia se tornou solitário e estranho e eu abri uma latinha de cerveja. Cerveja, gelada. No verão é ótimo, desce bem, faz com que a noite não se torne tão inimiga. Então eu bebi e a cerveja foi passando pelo meu corpo inteiro e foi me dando um calor e um calor e um calor que me deu mais saudade de você.
Aí achei minha caixa de azedinhos lá no fundo armário. Meu preferido: azedinho de morango. Coloquei a mão na caixa e estava vazia. Devo ter feito alguma cara meio confusa, meio decepcionada. Então achei outra caixa: azedinho de maçã verde. Peguei 2 e saí. Mas fiquei pensando porque a caixa do meu preferido estava vazia. Detalhe: vazia e dentro do armário, dentro do armário e vazia. E me dei uma definição: me senti uma caixa vazia dentro de um armário abandonado. Uma caixa abandonada dentro de um armário vazio.

Aquela cerveja foi me causando sensações não traduzíveis, me encontrei semi-bêbada e com saudade. Não uma saudade ruim. Uma saudade doce. Doce e suave e com gosto de azedinho. Fui até o armário e vi que lá no fundo, bem atrás tinha o sobrevivente da caixa vazia. O último e abandonado azedinho preferido. Troféu da noite.

Passei a mão nele, enchi um copo de água gelada e fui para o quarto. Passei o meu dia a limpo. E pensei: não tem jeito. Eu te amo.

Vinte anos

Vinte anos é uma etapa ingrata. Você não é mais adolescente, mas também não se sente adulto. Você sabe que tem que se portar como adulto, mas não encontra a adultez em parte alguma, a não ser no futuro. Você não tem trinta, ainda não é gente grande. Mas você já deixou de ser gente pequena faz tempo.
Com vinte anos não se bate mais porta do quarto, ninguém foge mais de casa, não se esquiva de responsabilidades. Mas ainda se é perdoado com desculpas: ele (a) só tem vinte anos, é jovem!

Uma das melhores coisas da vida é a liberdade. A sensação de que você tem alguém ao lado, amigos, família, realização e...você é completamente livre! A liberdade para mim está diretamente relacionada ao espaço.

Preciso ter tempo para a minha própria solidão. Preciso de um sofá para sentar as minhas loucuras. Preciso andar de pé no chão. Preciso fingir que não ouço o telefone tocar. Preciso ficar sem falar nada nos primeiros minutos da manhã. Preciso do meu próprio silêncio e da minha própria música interna.

Ter vinte anos não quer dizer nada. Trinta. Quarenta. Quinze. Noventa. O que importa, no fundo, é quem você é quando está sozinho. Como você é quando está acompanhado. O que sobra quando a luz apaga. O que resta quando o sol acorda.

De qualquer forma, levo sempre o meu perfume. O meu caderno. Uma caneta. Batom. Lixa de unha. Minhas lembranças. Minha parte que cresceu. Meu lado que não amadureceu. De qualquer forma ninguém vai adivinhar os meus sorrisos. Eles são meus (e seus...).

segunda-feira, 19 de novembro de 2012



Ele me mudou tanto. Não consigo entender exatamente onde as mudanças começaram. Mas foram muitas. E acho que foi devagar. Se fosse rápido eu teria sentido. E talvez tivesse pisado forte no freio. Ninguém gosta de mudança, já que toda mudança implica uma perda. Quando a gente muda acaba saindo da zona de conforto. E a zona de conforto é, como o próprio nome diz, confortável, segura, boa.

Ele me deixou mais forte. A gente nunca percebe a força que tem até acontecer algo. E quando esse algo acontece, plim, surge aquela força absurda. E a gente se surpreende com as reações, pensamentos, sensações.

Ele me levou algumas pessoas. Poxa, eu lamento dizer isso, mas ninguém é eterno. E sabe aquele seu amigo muito amigo? Ele vai te deixar chateado. E sabe aquela pessoa incrível que você contava? Ela vai te decepcionar. E sabe aquela colega que almoçava todas as quartas junto com você? Ela vai passar a almoçar com outra pessoa depois que uma de vocês entrarem na faculdade. A vida é assim: traz algumas pessoas e afasta outras.

Ele me mostrou o que é um sentimento. É que nem sempre a gente sabe. Às vezes é necessário um empurrãozinho. Um beliscão. Uma queda ou um peteleco na orelha. A coisa está ali, ao seu lado, e nem sempre os seus olhos estão bem abertos para enxergar.

Ele me ensinou que os dias nem sempre são ensolarados. E que a chuva tem a sua beleza. O cinza também. E que nada é eterno. E que ninguém ganha sempre. E que esse é o grande barato de tudo.

Ele me fez ver que a beleza vai além de um salto alto, uma sombra preta, uma chapinha e unhas bem feitas. E que dinheiro não compra caráter. E que educação não está em nenhuma prateleira do supermercado.

Ele me fez acreditar que tudo passa. Que nenhuma dor é para sempre. Que nenhuma alegria dura 365 dias. Que a gente vive numa gangorra. E que o ditado “um dia é da caça, o outro do caçador” é a coisa mais verdadeira que existe.

Ele me deixou enciumada. É que todo mundo sabe quem ele é. Todo mundo já sentiu os efeitos que ele traz. Todo mundo já provou o seu sabor.

Ele, o tempo.

Ei, vem aqui, não faz assim. Por favor, me ouve. Não finge que não liga, não dá de ombros, não faz essa cara de quem não quer prestar atenção e de quem pouco se importa. Eu sei que você se importa, ou pelo menos, tenho certeza que já se importou um dia. Por que tem que ser assim? Por que as coisas não podem simplesmente ficar numa boa?

Alguém inventou essa história maluca que o amor tem que durar pra sempre. Então a gente fica naquela obrigação de ser perfeito, de fazer acontecer, de ter êxito, de não fracassar. Não consigo mais levar isso adiante, não. Eu sou um fracasso, na minha testa está escrito em letras imensas LOSER. 

Não, eu não consigo parar de lembrar como a gente foi feliz. Era tão bom gostar de você. Era tão bom ver o seu sorriso de manhã. Coisas assim, meio de filme. Mas a nossa vida é realidade pura. E sem flores. Uma das minhas maiores dores é saber que, não importa quanto tempo passe, eu nunca vou esquecer você. 

Você foi a pessoa mais importante da minha vida e com você eu aprendi muita coisa sobre o amor. Mas o amor é que nem um bebê de colo: precisa de cuidados e supervisão constante. Acho que a gente não soube cuidar bem desse bebê. Nem da gente mesmo.

Por que as pessoas se perdem? Eu sempre disse: se não for pra acrescentar alguma coisa, por favor, não bagunça a minha vida. Gosto de quem soma. E a gente somou, você somou, eu somei. Até o momento em que as brigas começaram e a gente fez questão de se diminuir.

Nosso amor teve muitos silêncios e vírgulas. Cheguei a ficar engasgada com tantas reticências. Não dava mais, não estava mais funcionando. É, às vezes as coisas não funcionam. Estragam. Se partem.

Mas só porque acabou não quer dizer que não deu certo e não foi bom. Nem sempre as coisas são eternas. Mas nem por isso deixam de ser especiais. Por favor, entenda isso. Entenda que o nosso amor deu certo. E me deixa livre para seguir. Eu prometo que te deixo livre para seguir também. Detesto histórias sem fim. Todo mundo precisa de um ponto final para poder começar um novo parágrafo. Boa sorte para nós dois. A gente merece.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Eu sempre fui metódica e inconsequente, por mais contraditório que isso pareça. Sempre soube o que devia ser feito de trás pra frente, mas sempre ignorei o mundo e todos os conselhos, porque eu queria fazer e ponto, isso me bastava. Amanhã é outro dia, não é? E ficava entregue aos meus impulsos até quando a pergunta "Tá valendo a pena?" fosse respondida por um "Não!" imediato. Muitos planos na gaveta, mas sempre procurei não jogar em ninguém o peso deles, até porque ninguém nunca mereceu ser o cara dos meus planos, vale a pena frisar. Ou, pra não ser injusta, nunca tive sintonia com os bons candidatos, tenho essa pré-disposição a quem vá me enlouquecer em pouco tempo. Minha amiga me disse que o meu tipo é gente problemática e eu não pude negar, ela tava certa. Por algum motivo que eu desconheço, trago escrito na testa essa minha preferência por relacionamentos, programas a dois e todo esse mimimi. Prefiro mesmo e isso assusta, eu sei. Mas se eu não soubesse segurar o tranco de ser só, estaria namorando por conveniência ou carência há muito tempo, mas isso ninguém vê. Ouvi muitas vezes a mesma coisa, mesmo argumento, uma fala oficial que me dá sono. Mas queria dizer dessa vez que se eu fosse mesmo pequena, indefesa e assustada, eu quem iria fugir. Nunca o fiz.

domingo, 28 de outubro de 2012

Limpeza da alma

Eu bebia para vomitar aos litros. Não escondia de ninguém, mas também não ficava pedindo atenção, querendo ser a rainha da gorfada, a mestre do “passar mal” de bêbada. Esse era meu plano, simples, eficaz e primitivo: vomitaria tudo. Os outros diziam que eu bebia para esquecer, que era refúgio, que eu estava tentando esconder tudo que eu sentia atrás de garrafas e mais garrafas de álcool. Todos estúpidos, não sabiam de nada. Na verdade eu não escondia, nem fugia de nada. Estava metida até a tampa no meio dos meus fracassos e decepções, lembrando sempre de cada uma das minhas tristezas e bebendo para botá-las para fora. Esse era o plano: vomitar tudo de ruim que estava guardado dentro de mim.

Eu me esvaziava de lembranças e sentimentos para ver se conseguia viver em paz. É como uma garota que enfia uma escova de dentes no fundo da garganta para não engordar depois do almoço. Nesses dias de limpeza pesada eu mandava embora as brigas. Eu as misturava com o produto de um desejo infinito de mijar a vida inteira, expelindo uma porção de crises de ciúme que ficaram em silêncio, cinismos que escondiam explosões de humor, mas que se resumiam a caras fechadas e sorrisos amarelos.
Ficava alucinada gritando uma porção de dores e tristezas. Berrava uma porção de coisas que eu deveria ter dito e não disse, uma porção de cosias que eu ouvi e não deveria ter ouvido, uma porção de coisas que eu vi e não deveria ter visto, uma porção de coisas que eu fiz e não deveria terem sido vistas por ninguém. Eu gritava os perdidos que eu dei. Gritava as vezes que fui traída. Gritava todos os dias em que fiquei sozinha pensando absurdos. Gritava as maiores frustrações do mundo. Depois eu começava a ficar sem voz, o corpo esquentava absurdos e eu suava. Suava litros, perdia água como quem abre as portas de uma barragem. Nessas eu suava as melhores coisas. Deixava sair pelos poros todas as vezes que eu disse que foi o melhor sexo da minha vida, que era o homem da minha vida, todas as vezes que eu dizia que seria pra sempre e expurgava todas as coisas que eu queria que tivessem sido reais.

Eu suava as risadas dela e via as gotas escorrerem, suava as viagens, suava os rostos, as caretas, as coisas que me faziam rir, as piadas e ia esquecendo de tudo. Evaporava cada coisa boa e ia ficando leve, perdendo passados e memórias de coisas que nunca mais iam se repetir. Ficava muito louca, com as pupilas parecendo bueiros abertos e as lágrimas se juntavam com as gotas de suor. Eu chorava, bem de vez em quando, uma porção de coisas sérias, como imagens de parentes que eu queria trazer para a minha própria família, comidas que eu nunca mais vou comer, sensações, texturas, cores e sons que eu nunca mais vou ouvir. Eu chorava porque perder lembranças boas exige coragem e eu sempre fui covarde pras dores do coração e da alma. Lavar a alma é dolorido, cansa, dá trabalho e cobra-se caro pelo serviço.

Quando estava tudo branco, como se fosse uma morte-viva, uma inconsciência planejada, eu me esquecia de lembrar de tudo que era de antes e me convencia de que o mundo era uma incerteza infinita, exceto por uma única coisa: “preciso me apaixonar por alguém”, e me jogava na cachaça outra vez.

domingo, 21 de outubro de 2012



A ansiedade é responsável pela maioria das vezes que a gente odeia o silêncio. Esperar a palavra de alguém, uma resposta, um simples “oi” faz o silêncio passar de pacífica sensação de paz a terrível sensação de desespero. O silêncio é como uma bandeira de rejeição que não tem cor, nem mastro, nem pano, mas está lá, nítida e imponente, para que você saiba que ele existe. Ele é uma entidade, não uma situação.

A falta de comunicação vai tão além da falta de som que é possível ficar em silêncio no lugar mais barulhento que se pode imaginar. Quantas vezes não me senti extremamente incomodada com o silêncio de alguém enquanto meus ouvidos ardiam agoniados com barulho demais. Existe a falta de som e o silêncio. E acredite: eles não são equivalentes!

Esperar algo de alguém, uma comunicação banal que seja, gera o silêncio. Estar em um lugar sem nenhum som, nenhum barulho, nenhum nada ainda pode ser extremamente ruidoso e barulhento. Os olhos falam mais alto que qualquer garganta! As palavras gritam mais que qualquer desespero e o toque, o gesto delicado, revela mais informações do que a mais longa das conversas. A expectativa de receber esse tipo de comunicação é que gera o silêncio, a falta de som, não.

O silêncio é aquela sensação estranha de quando você escreve um bilhete e, ao invés de responder, a pessoa simplesmente guarda o papel e continua fazendo o que estava fazendo antes. Ou quando você manda uma mensagem de celular que levou meia hora pra ter coragem de escrever e a resposta nunca vem. Ou até quando você vê a tela do computador mostrando o chat só com a sua frase vazia na tela branca e mais nada, nem um “fulano está digitando uma mensagem…” para te acalmar. O silêncio tira a calma de qualquer um!

Também fica essa sensação estranha quando a despedida com beijo na boca vira um abraço com uma bochecha encostando na outra, sem lábio, sem sentimento, sem quase nenhuma intimidade. Acontece quando você segura a mão de alguém e ela não segura de volta, simplesmente deixa a mão ali para você carregar. São faltas de respostas, de atitudes, que geram o silêncio.

Essa nossa necessidade de ter uma resposta, de esperar do outro uma atitude específica, faz com que a vida pareça mais injusta, menos amável, menos macia. De que adianta ter amor, dar amor, ser feliz, ser sincero se, a qualquer momento, a reciprocidade acaba e de repente o mundo não é mais tão feliz, nem tão amável, nem tão sincero. A vida parece uma brincadeira de mal gosto quando se espera de alguém uma resposta que não vem, ou vem errada, ou truncada, ou oposta.

É como se esforçar para conquistar algo que, mais dia menos dia, não vai dar em lugar algum. É o morrer na praia sonhando com a vida nova, a escalada ao cume que está sempre encoberto por nuvens e nunca revela a verdadeira vista de lá de cima. É a expectativa crua, daquela que simplesmente nasce da esperança de algo acontecer, sem planos a longo prazo, sem estratégia, só querer e precisar.

Quando se quer a resposta certa, o gesto específico, a situação exata, o tempo para de passar. A espera se torna eterna, tudo se torna chato e sem razão, como se fosse mais fácil dormir do que esperar. É o silêncio que nos deixa assim, e quem o alimenta é a ansiedade de esperar do outro exatamente o que nós oferecemos. Quando percebi isso tudo cheguei à conclusão de que o dinheiro que vai, geralmente é bem maior do que o troco que volta e, mesmo assim, o produto ainda vale a pena. Vale a pena o silêncio!

terça-feira, 25 de setembro de 2012


Sou traída pela minha repulsa a romances baratos mais uma vez. Homem barato com conversinha barata, um namoro desesperado e o amor banalizado. Traída ou salva, jogo de sorte. Meu tempo é caro demais pra tanta promoção de alma. Nada me assusta e afasta mais que isso. Quero toda distância possível de gente que se joga nos outros pra descansar, esse povo que suga a vida do outro pra tentar se sentir menos vazio. Me dá até um frio na espinha esse tipo de carência doente. Essa obsessão de não ficar só, essa necessidade que se cria e sufoca. 
Sou livre demais. Sou passarinho e só pouso quando e em quem eu quero, então não tenta me botar na gaiola, que eu morro. Não se mexe rápido demais, que eu fujo. É que gente muito fácil me espanta, não sei lidar com caminho escancarado, acho duvidoso demais quando eu já chego sendo algemada. Não nasci pra algemas, aliás. Desculpa a frieza ou a má metáfora, mas é que produto barato demais custa caro, quando te empurram muito alguma coisa, é quase certo não funcionar bem. Desculpa também minha saída pela janela, meu jeito desastrado de ficar e pior ainda de ir embora. É que ficar por ficar, é pior que qualquer desastre, então vamos pular essa parte. Que amor é sentimento e não arte e eu não sei fingir.

Ele e seu roteiro batido. Jurando que eu ia me derreter em cada linha, cair de amores no primeiro parágrafo. Mal sabe ele que eu sei cada vírgula de cor e na segunda frase já caia sim, mas de sono. Típico carinha que procura romances com data de validade, um amor pra vida toda que dure no máximo um mês. Porque toda essa coisa de relacionamento, convívio, ceder e se doar é complexo e trabalhoso demais e nada se resolve depois de uns copos de vodka. E qualquer tentativa a longo prazo vem lacrado com uma faixa de perigo e cheia de riscos, dores e feridas permanentes. E é tão mais prático brincar de casal. É tão mais fácil só receber, fazer parte dos planos de tantas garotas que ele nem lembra o nome. Não dói, tem coisa melhor que isso? Pra ele não e por que eu perderia meu tempo tentando reverter a solidão de alguém? A troco de que eu ia passar horas explicando que isso é patético? Continua brincando de ser feliz, só não me tira como idiota. Decora teu texto e diz do modo mais convincente que você conseguir pra qualquer uma nesse mundo, mas me poupa. Só me poupa. Que essas tentativas de ficção de amor, com esse ar de sou-tão-esperto me ofendem e eu ando sem paciência. Acontece que a gente tem mesmo esse instinto individualista e solitário e eu tô dando espaço ao meu. Sabe, esse impulso de se isolar, esses reflexos de egoísmo. Tô tentando ser na vida, quem eu sou no ônibus. Já entro em busca de um banco completamente vazio e sento na janela. Se alguém senta do lado, fico aflita procurando outro banco vago pro resto da viagem. Sem conversinha furada, sem relatos sobre a vida ou previsão do tempo. Sem ambulante, se desculpando por atrapalhar o silêncio da viagem, mas já atrapalhando e muito. Só eu, comigo, pensando em mim e sentindo o vento no rosto. Porque nessa de tentar, já perdi tempo, amor, sonhos, crenças, paciência e me perdi também. Então vamos combinar assim: Fale à passageira somente o indispensável. A menos que tenha algo a dizer melhor que o seu silêncio, o que é difícil. Agradeço.

domingo, 23 de setembro de 2012

In memória.


E lá se foram sete dias sem você, pequena. Em pensar que você era sempre a primeira a ler cada texto meu.  Esse você não vai. Justo esse, que é pra você.
Você deve estar aí de cima, me assistindo escrever isso aqui e me chamando de ‘arregona’ ou de ‘pau mole’.  Consigo imaginar você falando.  Consigo lembrar da sua risada. Só não consigo te ouvir. A sua ausência faz silêncio nos lugares mais barulhentos.

Otárias, biscas, putas veias. A palavra amizade tem mais sentido agora.Conversas que só tem graça se forem na hora estudar, madrugadas que só rendem aprendizado se forem na Adri (e se a prova for no dia seguinte), notas baixas que só não são tão ruins porque tá todo mundo na merda junto, trabalhos que se forem em grupo tem que ser de SEIS pessoas e se não for a gente faz ser, noites do pijama sensual que de sensual só tem o nome, cachaças que só tem graça se vierem seguidas de um ‘que isso novinha?’ pra dançarmos até o chão, aulas chatas pra caramba que só são superadas com muitos bilhetinhos e mensagens, almoços que só são bem digeridos com muito refrigerante (e celulites de brinde), desilusões amorosas que só não são tão doloridas porque é dor dividida em SEIS. É muita mulher pertubada. É muita TPM todo mês. É muito coração partido junto. O resultado disso? Um sexteto. Uma amizade pra vida toda (tenho certeza absoluta disso). Futuras cirurgiões-dentistas muito bem servidas de parceria e ombro pra chorar. (af, que deprê!) Se vai dar tudo certo eu não sei, só sei que se der errado eu to com vocês, SEMPRE!”
Esse texto me lembra que não são mais seis travesseiros, seis pratos na mesa, conta do mercado dividida por seis. Cinco rodízios de sushi e um sobá pra você. Não somos mais seis.

Faltam 17 dias pra viagem que a gente tanto sonhou. Sonhamos juntas. Contamos os dias juntas. Um sonho que a gente vai viver por você, pra você. Cada sorriso, cada brinde, cada música... você será lembrada em cada detalhe.

A família odonto 2014, hoje pode ser chamada de família graças a você. As picuinhas foram esquecidas, os grupinhos estão se desmanchando e até o clube do bolinha dos meninos está aceitando a nossa companhia. Choramos juntos a sua partida e hoje, somos uma família que tem até anjo. Fica em paz, amiga. A gente te ama. Muito. Pra sempre.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

zi.



Ele me entende, ás vezes até mais que eu. E atura minhas loucuras, minhas crises, meu peso. Atura sorrindo e me fazendo sorrir, só porque ficar do meu lado é bom, independente do meu humor. Quando eu penso em desistir, ele me carrega no colo. Quando eu acho que não posso mais aguentar e quero sumir do mundo, ele me conta uma piada e me faz sentir leve outra vez. Só ele consegue, acho que é um superpoder. Imagina se mais alguém conseguiria botar um sorriso no meu rosto, quando já tô pronta pra chorar. Quem mais consegue segurar meu mundo, sem nem fazer esforço? Só ele suporta minhas neuroses com tranquilidade, porque a gente sempre acaba rindo do quanto eu sou paranóica e criativa. Rindo do quanto a gente sabe tanto um do outro, que é quase um só. Eu queria ficar no abraço dele pra sempre, nessa sensação de proteção, meu porto seguro. Queria cuidar dos arranhões dele, antes mesmo de surgirem. Queria evitar qualquer dor que pudesse chegar até a ele, explicar pra cada pessoa nesse mundo o quanto ele é incrível e especial e fazê-las prometer que nunca vão magoá-lo. Não sei, quando a gente tá junto não existe tempo ou problemas. A gente se ama e eu morro de medo do tempo me levar pra longe da coisa mais linda que aconteceu na minha vida. 
Agora eu te pergunto, você conseguiria manter só uma amizade, com a melhor pessoa do mundo? Pois é, eu consigo. Meu melhor amigo. Meu melhor. Meu.




quarta-feira, 29 de agosto de 2012

De um jeito só meu


Gosto de você de um jeito meio torto, de um jeito meio meu. Gosto de você em silêncio. Quieto. Gosto de você só pra mim. Não sou o tipo de garota que diz que gosta de alguém. Não sou o tipo de garota que gosta de admitir que gosta. Sou dessa que se faz de durona. Finge que não sente, finge que não se importa. Tem medo de sentir, tem medo de viver, tem medo de amar. Medo de um dia ter que admitir que tem sentimentos. Por você.

Gosto de você de um jeito meio louco, de um jeito meio meu.  Fico aqui pensando em todas loucuras que eu faria por você. Queria ter tempo pra fazer. Sair correndo por aí sem destino. Tomar banho de chuva até não aguentar mais. Brigar até sentir vontade de te beijar. Ficar longe até a saudade não deixar.

Gosto de você de um jeito meio indiferente, de um jeito meio meu. Diz pra todos que não sente. Sempre fui assim. Mas quem vai negar.. Meu olhar é todo seu. Meus melhores beijos são seus. Meus mais quentes abraços são sempre seus. Minha despedida com você.. Que eu nunca queria ter de ter.

Gosto de você de um jeito meio distante, de um jeito meio meu. Fico aqui te observando, tão cuidadoso, tão feliz, tão meu. Fico aqui torcendo por você, tão de longe, tão eu. Fico aqui imaginando o que você sente, o que você pensa,  o que você está fazendo. Fico aqui de longe porque eu não tenho outra opção, querendo que fosse meu, só meu. Fico só olhando. Admirando. Gostando. De um jeito só meu.

Esses caras não sabem nada sobre essas meninas.


Esses caras não sabem nada sobre essas meninas. Não sabem porque escolheram não saber, preferiram a segurança do raso, do simples, da opinião superficial nascida de duas ou três cenas suspeitas que viram em festas, casadas com umas fotos de ângulos depreciativos e mais uma meia dúzia de boatos que nunca poderão ser comprovados. Uma porção de caras que olha pra essas meninas sentindo a falsa segurança de saber exatamente quem são, o que pensam, como erram, quais são seus desejos, suas fraquezas e seus pontos fortes. Acreditam serem superiores por possuírem informações particulares sobre elas, mas que, na verdade, não dizem nada sobre ninguém.
Esses caras não sabem nada sobre essas meninas. Têm opiniões tão distorcidas que, em alguns comentários aleatórios que ouvi, tive dúvidas sobre quem estavam falando. Às vezes penso que eles se esquecem que elas saem para a rua, fazem o que quiserem fazer, mas depois voltam para casa. Uma casa normal, com mãe, com pai, com irmão, com beijinho na careca do vovô no final de semana, com lasanha, com cachorro, com viagem de ano novo, com um monte de coisa de gente comum. Tem cara que pensa que essas meninas nasceram dentro de uma balada, só vivem de festa, funk, black e goró. Porra, que absurdo pensar que todo mundo é tão vazio quanto eles são.
Esses caras não sabem nada sobre essas meninas. Isso acontece porque o ciclo de relacionamento com elas é mínimo, repetitivo e superficial. Eles as conhecem e, de cara, se interessam no caminho para entrarem debaixo de suas saias. Depois eles se sentem frustrados diante das negativas e começam a julgá-las por suas roupas, porque dançam, porque bebem, porque ficam bebaças ou porque fumam demais. Não importa, tudo será defeito, mesmo que não seja. Depois, diante do “foda-se” pra esse monte de absurdos, eles começam a criar histórias, verdadeiros mitos incríveis sobre coisas que elas supostamente fizeram, como fizeram, com quem fizeram e, claro, sempre tem muito sexo e pouca testemunha nesses depoimentos. Se fizeram ou não, ninguém sabe, mas caso seja verdade, nunca foi feito com quem espalhou a história.
Esses caras não sabem nada sobre essas meninas. E não sabem mesmo! Pica nenhuma! Nem o nome, porque apelido hoje vale mais do que R.G. Não sabem porque não conseguem conversar, não têm assunto que prenda uma mulher sentada por mais de cinco minutos. É sempre a mesma merda, com os mesmos históricos, as mesmas piadas, o mesmo bla bla bla eterno sobre as mesmas pessoas. Esses caras não perguntam nada inteligente, não falam da faculdade ou do emprego delas (porque talvez nem pensem que elas têm algum trabalho), não perguntam sobre gostos pessoais, não emplacam alguma conversa com reflexão, nem que seja sobre um filme que passou esses dias na TV. Eles simplesmente não se interessam por elas como pessoa, só como diversão, como enfeite, como paisagem. Elas são bem mais que isso, pode apostar!
Esses caras não sabem nada sobre essas meninas. Eles não fazem ideia de quanto elas estudam, trabalham e se esforçam para crescerem profissionalmente. Eles nem imaginam que debaixo daquelas roupas provocantes, daqueles sorrisos espalhafatosos, das danças sensuais, existe uma mulher que também quer ter filhos, também quer ter uma família e também quer alguém que queira abraçá-las antes de dormir. Elas também gostam de chocolates e flores, também gostam de conversar sobre investimentos, dinheiro, carreira, planos pro futuro e até futebol, por que não? Eles não pensam que essas meninas têm sentimentos e que deve ser foda saber que um monte de gente fala absurdos falsos sobre elas. Essas meninas são mais profundas do que tudo isso.
Esses caras não sabem nada sobre essas meninas. Não sabem o quanto elas podem ser amáveis, românticas, dóceis e meigas se forem tratadas como merecem. Eles não sabem como podem ser sensuais dormindo, como pode ser divertido passar a tarde na sala de casa comendo besteira e vendo os programas ruins na televisão ao lado delas. Eles não sabem sobre suas preferências, nenhuma delas, mas poderiam se surpreender caso começassem a aprender mais. Eles não sabem que elas sabem de cinema, que ouvem samba de roda, que têm tradições familiares sólidas, que são vegetarianas, que não têm pai, que têm irmão mais novo, que têm uma porção de medos bobos que jamais aparecem. Elas são tão incríveis, cheias de segredos e virtudes, que quase não dá pra acreditar. Elas sabem de seus próprios valores, eles não.
Esses caras não sabem nada sobre essas meninas e não dão o mínimo valor para as pérolas e diamantes que têm diante de si. Se perdem admirados em uma figura atraente e esquecem de lembrar que todo mundo é um universo a ser explorado. Esquecem que dançar no pole dance não deixa ninguém mais burro ou menos interessante. Esquecem que beber mais que um homem não deixa mulher nenhuma menos bonita e nem sem valor. Esquecem que não sabem de nada pensando saberem tudo e que esse tipo de preconceito nunca dá certo. Esses caras vão saber alguma coisa sobre essas meninas quando um homem de verdade sair da caixa, passar por cima do monte de merdas “que o povo conta” e mergulhar nesse monte de mini universos fascinantes. Eles vão saber quando um amigo contar que essas meninas são incríveis, que estão felizes ao lado delas e que, mais cedo ou mais tarde, iria aparecer a pessoa certa. Elas aparecem certas para os caras certos!
Mas esses caras não sabem nada sobre essas meninas e isso é um problema só deles.

ADORÁVEL ESTRANHO.

Tá, não é mais um estranho agora, mas eu gosto de chamá-lo assim, ainda que seja só nos meus pensamentos e nos meus textos. Fazia muito tempo que eu não me sentia tão bem com um desconhecido. Ele tinha olhos profundos e um sorriso de quem ainda tem muita sede de vida, embora já tenha vivido algumas tantas experiências que o deram uma maturidade incomum. Tinha cheiro de homem, e um sorriso de moleque que contrastava de uma forma hipnotizante. Foi ele chegar, que eu comecei a ver poesia até no jeito que minha cadela corre atrás do próprio rabo. Acho que isso foi um bom sinal, ou não. Alguns drinks a mais e uma série de idéias bacanas para se pôr em prática com uma pessoa bacana. Cara, como ele é bacana! Um labirinto de formas musculares que eu ficaria medindo com a boca pelo resto da vida, se fosse possível. Estava na esperança de que fosse outro cara sem acervo intelectual, mais um membro da gangue das cantadas de porta de boate, e então eu poderia deixá-lo na categoria dos deslizes com facilidade. Doce engano. Tinha música saindo da sua boca e cada palavra, que era seguida de um sorriso malandro demais, encarnava na minha alma como se fosse um encaixe violento de peças de um quebra-cabeças, enfim sendo resolvido. Senti todas as borboletas no estômago se trombarem, enquanto voavam sem parar de tanta felicidade por ele ter tomado aquela iniciativa. Aquela que toda mulherzinha fica esperando – na maioria das vezes, inutilmente – que o cara tome, pra poderem dar continuidade numa história que nem existe. A minha também não existe, mas eu nem ligo.
Tenho mostras de cuidado e atenção sem parar, e, embora esteja completamente confusa e sem saber o que fazer ou como isso aconteceu, tô adorando ser essa mulher comum! Que experimenta o guarda-roupa inteiro prá poder ficar à altura de uma camiseta com bermuda, que sente uma honra imensa simplesmente em ser apresentada aos seus amigos. Enfim, tô feliz e não nego mesmo. E assumo a culpa, a culpa é do meu estranho adorável, com cara de menino e jeito de macho, do tipo que se faz inteiro e não precisa pedir atenção, ele é digno de toda atenção do mundo e de todo carinho e de todos os beijos, abraços e gemidos possíveis.
De tanto pensar sobre como a rainha do gelo chegou ao ponto de se sujeitar à correr esse risco real e ameaçador de se ferrar muito, acho que deu pani e não pensei mais, só vivi, é. Vivi. E os dias ao lado dele foram incríveis ao ponto de não caberem em palavras e, mesmo sabendo que todas as coisas (e pessoas) desse mundo foram destinadas à mudança (o que pode não ser uma coisa boa), eu estou plena em cada segundo. Hoje, me agarro apenas na certeza de que a gente ainda vai se encontrar por aí...
Tomara.



sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Lá se foram 9 meses...


Começou a ficar agressivo, como se a gente não tivesse mais que ser delicado ou ter respeito um pelo outro. Depois as pequenas coisas se tornaram enormes e tudo que era problema se tornou arma, objetos cortantes, coisas pontiagudas que a gente jogava um no outro pra machucar. Aí a gente tentou ficar bem, tentamos acertar e o acerto tinha remendos demais, cicatrizes demais, pedaços demais. Acho que a coisa mais difícil de terminar um namoro onde os dois se amam é conseguir acreditar que isso é o melhor a fazer. Prefiro chorar sozinha com a certeza de que ele me ama como eu o amo do que chorar frustrada por ter acabado com nossos sonhos e histórias no meio de uma briga imbecil alimentando um ódio que não é verdadeiro. A gente viveu uma história de cinema, um romance de novela e até hoje não vi um casal mais bonito do que nós fomos. Mas a verdade é que prefiro te perder para o tempo e seguir sozinha do que te perder para mim mesma e não poder me perdoar. Acho que eu te amo até o fim dos tempos, mas espero que eu e você possamos viver de uma maneira justa, digna, honesta e, se possível, feliz, pra levar nossa mágica pra vida dos nossos amigos, dos nossos próximos e pra nós mesmos. Vai doer em mim, vai doer em você, mas vai passar... sempre passa.

with or without you..


Se no futuro for isso mesmo, tudo bem, parabéns pra nós. Conseguimos! Mas se não for, que não esteja muito longe, ou, ao menos, que não seja ruim. Porque eu sei, você sabe,  qualquer um sabe que tentar adivinhar o futuro é inútil e que seja lá o que existe, destino ou acaso, não será previsível. É por isso que a gente não deveria se preocupar tanto com o que vai se parecer depois de cinco anos, quinze, trinta. É o futuro, amor, não dá para adivinhar.

Se no futuro a casa for azul de cercas brancas, bacana, mas se for amarela sem jardim, poxa, bacana também. Temos que estar abertos às novas possibilidades e nunca nos deixar endurecer diante das situações que exigem flexibilidade. Principalmente flexibilidade de opiniões. Ser duro, ficar sempre focado no mesmo objetivo, vendo só um pedacinho do horizonte, nos tira muitas chances de encontrar coisas ainda maiores do que as que pensávamos estar procurando.
Talvez, lá na frente, os papéis se invertam e você seja meu protetor, os braços que me dão segurança e conforto, meu porto seguro. Talvez eu seja a que paga as contas, a que fica o dia todo fora de casa e você o que troca as fraldas, o que conhece todas as professoras da creche e vizinhas da rua. Talvez você esteja sabendo do dia do vencimento de todas as contas, do preço do litro de leite, do gás, da nova taxa do lixo, enquanto eu vou comentar das novidades da guerra na Líbia, das descobertas nas pesquisas da vacina do HIV, dos escândalos econômicos do nosso país bagunçado.
Não há como saber! E, honestamente, me interessa muito continuar não sabendo. Não que eu gosto de ser surpreendida o tempo todo, mas não suportaria se soubesse que no futuro sua cama vai ter o perfume de outra mulher, ou que o banco do passageiro do meu carro vai ter um formato que não é da sua bundinha linda. Mesmo que, por algum motivo, essa situação tenha sido escolhida por nós, não é minha escolha agora. Prefiro ser surpreendida pelo divórcio futuro do que não viver a parte boa da história que ainda temos pela frente.
Posso garantir que não quero saber do futuro, nem controlá-lo. Mas se eu pudesse pedir, para Deus, para a sorte, para seja lá o que for que possa interferir nas nossas vidas, pediria uma coisa só. Não importa se você vai pagar as contas, se vou por silicone, se vai ganhar mal ou se vou decidir virar escritora. Também não importa se eu vou trocar fraldas, trocar de carro,  ou se vamos nos mudar para a praia. O que me importa é viver, seja lá o que vier, com você. Seria meu único pedido: que fosse com você!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Dos amores de hoje já não sei nada. Dos de amanhã, pff, nem pergunte. Não sei mais o que é para durar, o que é para curtir e o que é para acabar. Porque a gente sabe, todo mundo sabe, existem amores que começam para terminar! Onde é que está o amor quando a música acaba, quando as luzes coloridas à noite não iluminam mais, quando as mãos se dão por conveniência, não por desejo de segurar, de ter perto. Sento diante de uma janela invisível e assisto a vida das pessoas que passam pela minha e as que ainda virão. Vida vai, vida vem, e o amor entre elas é que faz tudo girar. Quem é que nasceu para ser fiel? E quem é que nasceu para não ser? E será que existe essa coisa de nascer pra algo? Vai ser diferente sempre? Vai ser sempre assim? Não sei, mas o que eu sei é que o amor de hoje não está nos livros, nem nos textos da internet, nem mesmo na boca de quem diz amar. O amor de hoje está na rua, na boca do lixo, e cada dia fica pior, mais sujo, mais feio, mais curto. Pede um cigarro, ama, apaga o cigarro, não ama mais. Hoje o amor tem que tomar cuidado com o copo de vodka, com o número de latas que já se foram, com como a música está. O amor é momentâneo, é mutável a cada nova cena, a cada nova festa e os amantes ainda não estão preparados para isso. É como a nova tecnologia na mão das crianças que ainda não sabem usá-la. É preciso ser cabeça para amar hoje em dia. O ciúme e a disposição para ser amado são complicados de entender, de aceitar, de diluir. Se alguém tem ciúme, é um ciúme extremo. Se alguém quer ser amado, deseja um amor extremo. Se quer amar alguém, é devoção extrema. No mundo dos sentimentos superlativos eu continuo neutra, na minha janela, privilegiada de bons ângulos, assistindo a vida alheia. Porque eu sei, sei muito bem, que quando saio na rua existem mais dezenas de janelas e olhos me assistindo, analisando minha vida, meu modo de viver, minhas escolhas e atos. Todo mundo se olha e tenta entender o amor alheio, quando, na verdade, nem o nosso próprio amor é totalmente conhecido por nós. Somos reféns do eterno medo da grama do vizinho ser mais verde... e cortamos amores como cortamos matos!

domingo, 22 de julho de 2012

Arte final


Eu te vejo hoje, no meio dos meus medos, como o ponto final de toda minha dor e quando você chega as catástrofes param pra ver nosso beijo demorar um pouco mais do que o meu incrível mal humor pode suportar. Eu, hoje percebo que está em você toda a força e a coragem que o mundo tem me negado durante esses últimos dias. É no seu beijo insistente que eu encontro a maioria das respostas pras perguntas que eu nunca te fiz. De todos os corpos lindos, de todos os caras desejáveis, hoje, você me parece o mais interessante, porque tem o formato que eu gosto, tem o desenho que eu comecei, é a arte final do meu rascunho. Através de toda a sua luta pra vencer o meu pessimismo eu vejo a sua alma boa, me abraçando devagar, me pedindo pra respirar fundo e aguentar mais um dia, outro dia e outro e outro. Hoje a sua felicidade irritante já não me irrita e a minha ironia ácida já não me parece tão forte assim. Você me diluiu na sua água e vai me bebendo a goles curtos, lentos, saboreando cada gota de mim. Você me destilou pra te embriagar. E eu, pra não decepcionar, tento ser tudo isso que você desejou que eu fosse, porque você tem sido tudo que eu nunca desejei... mas que eu sempre precisei...

terça-feira, 10 de julho de 2012

Quem é você?

Quem você pensa que é para chegar dessa forma e desorganizar a minha vida sempre tão organizada?
Quem te deu essa segurança irritante de saber o que me faz feliz?
Como você ousa me tirar da zona de conforto?
De onde você tirou essa petulância?
Quando foi que eu dei confiança para você me tocar com toda essa propriedade?
Quem autorizou você a me resgatar de um mundo tão meu? Mundo que eu criei e blindei para que ninguém mais pudesse chegar perto de mim
Quem te contou como eu gosto de ser beijada e abraçada? Quem revelou que eu finjo ser auto-suficiente, mas que no fundo não passo de um poço de fragilidade?
Por qual motivo se aproximou de mim, quando eu estava quieta?
Como é que a sua ausência pode me fazer sentir saudade imbecil?
De onde você veio?
Por que chega agora, quando eu já tinha decidido não me envolver?
Como se atreve a fazer desmoronar todo os planos frios e solitários que fiz pra mim?
Quem disse que eu queria que você viesse?
Quem é você?
Para onde você pensa que vai depois de mudar a minha vida?
Se não quiser esclarecer as minhas dúvidas, basta que fique perto

sábado, 16 de junho de 2012

Que seja agridoce.


Quão difícil é achar uma pessoa que te faça transbordar? Transbordar de sentimento, de paixão, de necessidade do outro. Transbordar de afeto, de desejo e porque não de tesão? Onde será que está a pessoa que vai me fazer transbordar novamente? Pensando a mesma coisa que eu? Me falam muitas vezes o quão difícil de lidar eu sou. O quão exigente para o amor, eu me tornei. E que assim eu nunca vou achar ninguém que seja o suficiente. O suficiente…. o que seria isso? Elas não entendem que eu não quero apenas o suficiente, eu quero o excesso. Não quero o suficiente, o limitado, o contado. Parece complicado, mas é mais fácil do que se imagina. Quero apenas o simples. Quão difícil é achar uma pessoa que goste de acampar, que goste de uma música boa, de assistir um filme, de dividir o milk shake e o último pedaço do bolo? Quero o simples do amor. Não quero cartas. Quem sabe um origami, aquele que você tanto tentou me ensinar. Quero que me mandem uma mensagem pedindo pra olhar a lua e me avisar que eu devia sair da frente desse computador e viver um pouco. Quero que joguem video-game comigo. E que amem isso. Quero que tenha brigas. Quero que tenha amassos de reconciliação. Quero um amor calmo, mas ao mesmo tempo que borbulhe. Não quero nhe nhe nhe demais, quero que seja na medida, que não enjoe, que seja agridoce. Quero alguém que me fale pra ficar quando eu gritar que vou embora. Quero alguém que fale por horas a fio comigo sobre séries, filmes e futebol. Que não se importe que eu vá na academia dia sim, outros 42 dias não. Alguém que apesar de ter me visto seis horas atrás, me abrace e sussurre ”Tava com saudade, pequena.” Quero a sensação de ver o mar e sentir ao mesmo tempo calma e euforia, quando eu vejo alguém. Quero a tremedeira nas pernas por causa de alguma presença. Quero olhar de cinco em cinco minutos pro visor do celular e desejar que alguém me salve. Quero ver as horas iguais e saber que não preciso disso para ter alguém pensando em mim. E apesar de não acreditar nisso, acreditar só por alguém. Quero que meus pais me envergonhem perguntando por alguém. E que eu sorria, por saber que existe alguém mesmo. Quero finalmente uma resposta pra dar a minha tia quando ela perguntar ”E os namorados?” e eu poder responder ”Foi jogar bola com meu irmão” Quero dedicatórias em livros, bilhetes na sacola do pão. Quero as borboletas invadindo meu estômago de novo. Quero alguém que cante ”Lucky” pra mim no violão. E acima de tudo, quero continuidade. Quero respeito. Não quero ser a única a me doar, muito menos a única a me doer. Quero reciprocidade. Quero alguém que aceite o meu ritmo. A c e l e r a d o, só que lento. E no final das contas, só quero a sorte de alguém querer o meu querer.

domingo, 20 de maio de 2012

Mais um sonho


Sonhei com você outra vez.
É aquele mesmo sonho que me persegue sempre.
Não vejo o seu rosto, mas o calor e o toque das suas mãos são tão reais que tenho a impressão de já ter te conhecido.
Quando estamos juntos, nesses momentos em que durmo e me transporto até você, é como se nada mais existisse pra mim… não há problemas, tédio, impaciência ou qualquer sensação ruim.
Somos nós dois e nada mais no mundo.
Tudo o que já vivi… todos os amores, todos os abraços e beijos tornam-se nada quando nos encontramos.
Essa noite você me abraçou de um jeito diferente… como se quisesse me contar alguma surpresa guardada a sete chaves, mas preferiu continuar quietinho.
Quando acordei, não pude escapar do pensamento de achar que talvez essa surpresa seja você aparecer, finalmente, fora dos meus sonhos.
Tenho acreditado cada vez mais, que você está chegando… sei que essa demora não é á tôa… talvez seja para testar a minha paciência.
Já sinto a sua presença como se a chegada fosse eminente e tenho planejado todas as coisas que quero dizer e fazer com você.
A espera tortura, cansa e as vezes desanima… mas ainda que alguns possam me chamar de louca, eu sei que você é o amor que eu tenho esperado.
Ao contrário do que muitos esperam, não estou aguardando ninguém perfeito… sei que vou brigar por causa da sua bagunça, do seu humor ou até por você esquecer alguma data importante, mas defeitos e obstáculos não tornam um amor menos verdadeiro.
Ainda não sei onde, nem como você vai entrar na minha vida… e nem estou preocupada com isso. Vai acontecer… na hora certa, vai acontecer!
Enquanto isso, continuo adorando te encontrar nos meus sonhos… a única coisa ruim, é essa saudade que sinto quando o dia amanhece.
Saudade imensa… de um beijo que eu ainda nem conheço!